Greve de caminhoneiros: 1º dia tem racionamento de combustível e apelo às Forças Armadas em Portugal

© Sputnik / Caroline RibeiroAviso em posto de combustíveis em Lisboa, Portugal
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Começou nesta segunda-feira (12) a greve dos caminhoneiros que transportam combustíveis e mercadorias em Portugal. A paralisação é por tempo indeterminado. O racionamento foi adotado em todos os postos do país e o governo apelou a uma "requisição civil" para garantir que os serviços mínimos estabelecidos sejam mantidos.

A requisição civil é um mecanismo pelo qual o governo de um país pode aplicar uma série de medidas emergenciais, quando existem circunstâncias graves, para garantir o funcionamento de serviços essenciais. Tiago Antunes, secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, declarou que foi constatado que "os sindicatos e motoristas que aderiram a greve não cumpriram os serviços mínimos estabelecidos". 

​Os grevistas deveriam manter 100% de atendimento para os postos que formam a Rede de Emergência de Postos de Abastecimento (REPA), assim como para o fornecimento de combustíveis para unidades militares, serviços de segurança e socorro e aeroportos. Também foram estipulados serviços mínimos de 75% para postos que abastecem viaturas de transportes públicos e de 50% aos demais postos de combustíveis do país.

No entanto, de acordo com o governo, foram observados vários incumprimentos. Um deles ao abastecimento do aeroporto de Lisboa. Nesta segunda-feira, deveriam ter sido feitas 119 viagens de caminhões-tanque com combustível para o aeroporto, mas, de acordo com o secretário de Estado, apenas 25 foram realizadas. 

​Com a requisição civil, os grevistas "passam a estar em um quadro de crime de desobediência", explicou Tiago Antunes. As primeiras medidas divulgadas pelo governo incluem o uso das Forças Armadas para garantir o abastecimento aos aeroportos, aos postos da REPA e a outros da zona sul, onde fica a região do Algarve, um dos principais destinos turísticos do país.

Racionamento

A partir de hoje o abastecimento em todos os postos de combustíveis de Portugal está limitado. Nos postos que formam a REPA, o máximo é de 15 litros de gasolina ou diesel por veículo. Nos postos comuns, veículos de passeio podem abastecer até 25 litros e viaturas pesadas até 100 litros. Em todos os postos há placas sinalizando a determinação e alguns contam com reforço de segurança para garantir o cumprimento.

Para alguns motoristas o racionamento pode acabar em problemas caso a greve se prolongue. Operário da construção civil, Paulo Pereira aproveitou o primeiro dia para completar o tanque. "Estou a semana toda a viajar a trabalho. Se o povo entender que esses 15 litros são a cada dia, acho que serve, mas se começarem a vir todos juntos aí vai acabar rápido e não vai dar pra ninguém", diz Paulo à Sputnik Brasil.

O racionamento também afeta a rotina dos motoristas. O brasileiro Eduardo Almeida trabalha com transfers e passeios turísticos em Portugal. Para não correr o risco de ficar no prejuízo, alterou a dinâmica. "Eu sempre espero bater meio tanque e completo, mas como está com esse problema e o meu medo é amanhã ou depois criar filas, to entrando nessa rotina de abastecer diariamente. Em qualquer urgência eu não estou desprevenido", conta Eduardo à Sputnik Brasil.

A rede VOST Portugal (Voluntários Digitais Em Situações de Emergência) atualiza diariamente a plataforma "Já Não Dá Para Abastecer", com dados sobre a falta de combustíveis nos postos. Às oito e meia da noite desta segunda (16:30 hora de Brasília), já faltava gasolina em 26% dos postos do país.

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