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Bolsonaro vai propor um acordo de livre comércio entre Mercosul e EUA, diz porta-voz

© AP Photo / Eraldo PeresPresidente da Argentina, Mauricio Macri, e o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, em Brasília.
Presidente da Argentina, Mauricio Macri, e o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, em Brasília.  - Sputnik Brasil
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O presidente Jair Bolsonaro quer propor um acordo de livre comércio entre o Mercosul e os Estados Unidos quando assumir a presidência do bloco durante uma reunião na Argentina, informou o porta-voz da presidência Otavio Rego Barros nesta terça-feira.

Rego Barros disse ainda que o Ministério de Relações Exteriores do Brasil já tem um esboço do pedido de acordo para que o filho do presidente, Eduardo Bolsonaro, se torne o embaixador do Brasil nos Estados Unidos.

Bolsonaro defendeu a nomeação de seu filho como embaixador, mas a nomeação ainda precisa ser aprovada pelo Senado brasileiro.

A ideia é compartilhada pela Argentina. Nesta terça-feira, a ideia de Bolsonaro foi confirmada pelo ministro de Relações Exteriores argentino Jorge Faurie.

"Antes, nem todo mundo queria se casar com o Mercosul, uma complicada coisa do meio. E agora todos aprenderam que temos um mercado, que somos interessantes e que há mais propostas para o casamento. E isso é muito bom para toda a nossa região", disse o chefe da diplomacia argentina em uma coletiva de imprensa.

Reunião nesta quarta-feira em Santa Fé

A fala veio após a reunião do Conselho do Mercosul, que definiu a agenda de temas que serão abordados na cúpula de presidentes da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai nesta quarta-feira em Santa Fé. O bloco vive uma euforia depois de assinar um acordo de livre comércio com a União Europeia (UE).

Considerado o mais importante acordo com terceiros mercados desde a sua fundação há quase 30 anos, o bloco sul-americano assinou em 28 de junho um compromisso de integração comercial com a UE justamente em um momento em que o multilateralismo aparece ofuscado pelas tensões globais e pelo protecionismo.

O acordo, cujas negociações começaram em 1995, visa complementar as economias de uma região que é primariamente uma produtora de matérias-primas - a América do Sul - com outra de bens e serviços - a Europa. Os diplomatas sul-americanos confiam que sua implementação começará em dois anos.

O grupo agora pretende promover "casamentos comerciais" com outras nações, incluindo os Estados Unidos e a China.
Os presidentes da Argentina, Mauricio Macri, e do Brasil, Jair Bolsonaro, fizeram do acordo um eixo central de sua política externa e deram impulso às negociações que haviam sido paralisadas durante os governos de centro-esquerda que os precederam.

© AP Photo / Eraldo PeresBandeiras do Brasil e do Mercosul (foto de arquivo)
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Bandeiras do Brasil e do Mercosul (foto de arquivo)

Em Santa Fé, capital da província de mesmo nome, a cerca de 470 quilômetros a noroeste de Buenos Aires, ambos os líderes, juntamente com seus pares no Uruguai, Tabaré Vázquez; e o Paraguai, Mario Abdo Benítez, pretendem ativar todos os mecanismos necessários para que o acordo entre em vigor o quanto antes e finalizar os detalhes de um acordo comercial com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA, por sua sigla em inglês e composto de Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça) que poderão ser encerradas antes do final do ano e avançar em outras negociações com o Canadá, Singapura e Coreia do Sul.

Também participam os líderes do Chile, Sebastián Piñera e Evo Morales, da Bolívia, na condição de Estados Associados.

"Diante de uma reflexão de que o Mercosul foi parado, bem, estávamos fazendo ginástica em casa e agora é capaz de participar de várias competições ao mesmo tempo", declarou um entusiasmado chanceler argentino.

Enquanto o Brasil pede para acelerar as negociações com os Estados Unidos, o Uruguai também pretende negociar com a China.

"Para nós, é importante que o Mercosul e os países membros estejam em permanente diálogo com os principais atores do comércio e da economia global. Os Estados Unidos são um ator fundamental, a União Européia é um ator importante e a China é outra", pontuou Faurie.

Impasse venezuelano

Em meio às conversas sobre acordos comerciais, a crise na Venezuela superou a reunião de ministros de Relações Exteriores. Este país foi suspenso como parte estadual do bloco sul-americano em 2017.

"A Venezuela é uma grande pedra na estrada que impede o crescimento da América do Sul", atacou o chanceler do Brasil, Ernesto Araújo, diante de seus pares. "Deve ser reconhecido que há um elefante na sala, que é a questão da Venezuela. O grande desafio que a nossa região enfrenta hoje é a plena recuperação da democracia na Venezuela".

Cada um separadamente, Argentina, Brasil e Paraguai, reconheceram o autoproclamado governo interino de Juan Guaidó, mas a posição mais ambígua do Uruguai impede que o Mercosul como um todo se manifeste no mesmo sentido.

"A Venezuela é permanente nas mentes de todos nós aqui na região e preparamos uma declaração à qual os países do Mercosul e outros estados associados aderirão, que entendem que existe uma completa falta de democracia na Venezuela", pontuou Faurie.

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