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Brasil deve priorizar acordo com EUA ou UE?

© REUTERS / Kai PfaffenbachCédulas de dólar e euro
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Dias após o anúncio de um acordo entre Mercosul e União Europeia, o presidente da Argentina, Mauricio Macri, disse que o Brasil e seu país estavam negociando um acordo de livre comércio também com os Estados Unidos, apesar de ratificações pendentes com a UE. Será possível ter sucesso nas duas negociações ao mesmo tempo?

No final do mês passado, os blocos sul-americano e europeu acertaram os termos de uma parceria de livre comércio há anos esperada. No entanto, para entrar em vigor, o documento dependerá que os parlamentos dos países envolvidos ratifiquem o mesmo, questão que pode ser atrapalhada por alguns empecilhos, com destaque para exigências ambientais que têm sido foco de desentendimentos entre as duas partes. 

​Para a economista Juliana Inhasz, coordenadora dos cursos de graduação do Insper, embora o interesse sul-americano em um acordo com os EUA já fosse conhecido, surpreende o fato de o assunto ter voltado à pauta neste momento e desta forma, antes da consolidação dos entendimentos com a UE. Segundo ela, é possível que esse acordo acaba sendo firmado muito antes do que todos imaginavam.

Em entrevista à Sputnik Brasil, a especialista explicou que, sem dúvidas, Washington espera, com essa aproximação, ter acesso a insumos brasileiros e argentinos a custos mais baixos, devido à ausência de tarifas. A pergunta que não quer calar, ela afirma, é "até que ponto a economia americana também está disposta a ceder dentro desse acordo".

"Porque ela também vai ter de abrir mão de um tanto de receita, para que a gente consiga também ter algum tipo de vantagem", disse ela. "A nossa dúvida hoje é até que ponto o presidente Donald Trump está confortável em abrir mão de receitas ou possibilitar a entrada de produtos brasileiros e argentinos na economia americana com custo mais baixo e, em contrapartida, colocar os produtos deles em outros mercados", acrescentou, destacando que o maior risco, para o Brasil, é que tal acordo seja muito mais vantajoso para os Estados Unidos. 

​Ao comparar os dois acordos costurados atualmente pelos sul-americanos, Inhasz afirma que ambos podem ser bastante interessantes para o Mercosul. No entanto, ela considera preocupante o fato de Argentina e Brasil começarem a discutir uma eventual nova parceria, com os EUA, antes mesmo de terminar as negociações com a Europa.

"Acho que, no momento atual, seria interessante que realmente a gente concentrasse um pouco mais de esforços para fazer com que esse acordo Mercosul-União Europeia realmente entrasse em vigor, para que, a partir de então, nós utilizássemos esses ensinamentos. Porque, certamente, esse acordo vai trazer muitos ensinamentos para muitos países, para muitas economias."

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