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Após 6 meses de Bolsonaro, você se sente mais seguro? Ex-BOPE surpreende na análise

© AP Photo / Silvia IzquierdoJair Bolsonaro recebe abraço de Michel Temer em sua tomada de posse, Brasília, 1º de janeiro de 2019
Jair Bolsonaro recebe abraço de Michel Temer em sua tomada de posse, Brasília, 1º de janeiro de 2019 - Sputnik Brasil
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Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito presidente com um discurso marcado por críticas à Segurança Pública. Após 6 meses de governo, no entanto, o Planalto não conseguiu implementar suas principais promessas de campanha. A Sputnik Brasil ouviu um professor universitário e ex-instrutor do BOPE para analisar possíveis medidas na área.

Entre os projetos mais propagados por Bolsonaro para o setor estão a facilitação do porte e posse de armas, que apesar dos decretos presidenciais, foi barrada no Congresso devido a pontos inconstitucionais na medida - que mais tarde foi revogada.

Outra proposta que ainda não viu a luz do sol é a do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, que apresenta mudanças na lei como o chamado plea bargain e também a ampliação do excludente de ilicitude para agentes de segurança. Porém, com o entrave da reforma da Previdência e também o escândalo da Vaza Jato, o governo segue parado nessas questões.

Segundo o Atlas da Violência 2019, o número de homicídios no Brasil continua aumentando e bateu o recorde de 65.602 assassinatos. Os dados do DataSUS, que são de 2017, apontam também que 75% dessas vítimas eram negras.

Para analisar situação, a Sputnik Brasil entrevistou Paulo Storani, ex-instrutor do BOPE, antropólogo e professor da Universidade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro.

Em entrevista à Sputnik Brasil, ele demonstra que acredita que é preciso endurecer penas para criminosos, porém, diante do cenário de superlotação de presídios, também vê como necessário implementar melhorias nas unidades prisionais para que o preso "tenha um cumprimento da pena de uma forma digna dentro das condições de respeito aos direitos humanos".

No entanto, Storani acredita que o assunto não se resume ao punitivismo. "O que falta, e deixou de se falar nos últimos anos, é você criar um ambiente que intervenha nesse ciclo permanente de aumento da criminalidade", diz.

Para Storani, há uma necessidade de diminuir a capacidade de recrutamento para a criminalidade, o que hoje está ligado à desigualdade social.

"Se não pensarmos em intervir na motivação, na atração que o jovem vê no crime, principalmente em comunidades carentes, vamos ter sempre as facções criminosas recrutando jovens de forma cada vez mais precoce na comunidade", pondera o ex-policial.

Citando dados do Observatório de Favelas da Maré, que mostra que crianças de 10 anos estão sendo recrutadas por facções, ele enxerga na implementação de políticas públicas voltadas à qualidade da educação, além do investimento em atividades de esporte e cultura, uma forma de mitigar o recrutamento pelo crime.

"Se conseguisse manter o jovem dentro de uma escola boa, atrativa, em que o aluno se sinta acolhido, que tenha vontade de permanecer na escola e que seja preparado para outras atividades na área de desporto e cultura, você pode ter certeza [...], nós salvamos um menino ou menina", detalha o ex-policial.

© AP Photo / Victor R. CaivanoUm policial de elite da BOPE, Rio de Janeiro, foto de arquivo
Após 6 meses de Bolsonaro, você se sente mais seguro? Ex-BOPE surpreende na análise - Sputnik Brasil
Um policial de elite da BOPE, Rio de Janeiro, foto de arquivo

Estados precisam focar nos problemas reais

Storani afirma que a efetivação da política de segurança pública no governo Bolsonaro será mais nítida a partir do próximo ano. Isso porque o governo ainda executa o orçamento decidido pela gestão anterior.

"A sua gestão, propriamente dita, relacionada às suas políticas públicas, serão realmente materializadas no próximo ano, quando a sua proposta orçamentária irá determinar qual o nível de prioridade, por exemplo, da segurança pública dentro do contexto do governo", afirmou.

O especialista afirma que espera que o governo aplique ações que ajam em questões como a vigilância das fronteiras para impedir a entrada de armas e drogas no Brasil. "Investimentos na fiscalização das rotas, melhorias no sistema de inteligência", afirma o ex-instrutor do BOPE em referência ao que espera de investimento.

Para Storlani, a relação entre o governo e os estados também deixa a desejar, uma vez que apesar de certa integração política com alguns governadores, as parcerias ficam apenas no discurso.

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