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Cuba acusa Bolsonaro de manobra política pró-EUA após proibir venda de charutos Cohiba

© AP Photo / Ramon EspinosaBandeiras de Cuba e EUA (arquivo)
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A proibição de vender os famosos charutos cubanos Cohiba no Brasil é uma manobra política para impedir as fontes de renda para a ilha, publicou o jornal oficial Granma em editorial nesta terça-feira.

"A manobra bruta inventada pelo [presidente Jair] Bolsonaro no Brasil contra a marca de maior prestígio de charutos cubanos, a Cohiba, pretende fechar fontes de renda para Cuba, suspeitosamente muito de acordo com a política do governo dos EUA para endurecer o criminoso bloqueio econômico, comercial e financeiro contra a ilha", diz a nota do Granma.

O Brasil decidiu proibir a venda desses charutos cubanos depois que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alegou ter encontrado a um suposto excesso de ácido sórbico puro (conservante de alimentos natural utilizado como composto orgânico), informou a imprensa local.

Por sua parte, o jornalista brasileiro Lauro Jardim disse em seu blog publicado pelo jornal O Globo que o importador Emporium brasileiro, trabalhando por 20 anos com a empresa cubana Cohiba, rejeitou as alegações da Anvisa e disse que "não inclusão de qualquer aditivo, porque é um produto cem por cento natural, a folha de tabaco".

Em 23 de maio, as autoridades brasileiras rejeitaram a renovação do registro da marca Cohiba, 30 dias foram concedidos para o produto ser coletado nas lojas e sua venda naquele país foi proibida.

Segundo o jornal cubano, as 27 marcas de tabaco vendidas pela Habanos S/A a nível internacional, são feitos inteiramente à mão com longas tripas.

Os primeiros cinco mercados em volume de vendas são: Espanha, China, França, Alemanha e Cuba, e por regiões, a Europa continua a ser o principal consumidor.

Ganhos cubanos

O Granma acrescenta que os Estados Unidos são o maior mercado de tabaco premium do mundo, respondendo por 74% do total mundial, estimado em 470 milhões de unidades, às quais Cuba não tem acesso.

Segundo cálculos de especialistas, se a ilha entrasse no mercado dos EUA, as vendas no primeiro ano seriam estimadas em cerca de 50 milhões de unidades.

Se levarmos em conta o preço médio das exportações Habanos S/A. No ano de 2017, estima-se um efeito sobre a economia cubana de US$ 134,5 milhões, devido à impossibilidade de colocar este produto no mercado norte-americano.

A marca de tabaco cubana Cohiba, criada em 1966, é a marca de maior prestígio do mundo e, durante muitos anos, destinou-se exclusivamente a presentes a personalidades nacionais e estrangeiras do governo e ao ex-presidente Fidel Castro (1926-2016).

Segundo o site Habanos.com, as folhas utilizadas na preparação de Cohiba são a seleção dos cinco melhores nos distritos de tabaco de San Juan y Martinez e San Luis, em Vuelta Abajo, na província ocidental de Pinar del Rio.

A Cohiba é a única marca da Habanos S/A na qual três dos quatro tipos de folhas usadas em sua preparação, seca, leve e em tempo parcial, experimentam uma fermentação adicional em barris, um processo especial que resulta em um aroma e sabor que só pode ser encontrado nesta marca.

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