Ex-conselheira do Pentágono sobre chances de conflito: EUA querem evitar guerra com Irã

© AP Photo / Carlos BarriaAs bandeiras nacionais dos EUA e do Irã
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Especialistas comentam a questão sobre o recente abate de um drone espião americano e a possibilidade de um conflito militar real entre EUA e Irã.

De acordo com The New York Times, com referência a fontes na administração americana, a operação já estava em andamento em seus estágios iniciais quando foi cancelada. Os aviões já estavam no ar e os navios posicionados, mas nenhum míssil havia sido disparado quando a ordem de parar chegou, disse um alto funcionário, citado pela edição.

'Concentração progressiva de forças'

Na opinião de Karen Kwiatkowski, ex-conselheira do Departamento de Defesa dos EUA, os militares americanos estão concentrando forças no Oriente Médio para assegurar o transporte de petróleo através do estreito de Ormuz, mas é improvável que estejam dispostos a iniciar uma guerra contra o Irã, que não conseguiriam vencer.

"[O envio de tropas americanas] é parte de uma concentração progressiva de forças para ser vista como a preservação das linhas de transporte e do fluxo de petróleo na região [….] O Pentágono entendeu há muito tempo que nenhuma guerra terrestre ou aérea sustentada contra o Irã pode ser vencida ou é desejável", ressaltou Kwiatkowski.

"A forma de agir do Pentágono, de uma forma estranha e conservadora, é colocar o maior número possível de tropas em um local seguro, o mais rapidamente possível, com um mínimo de publicidade, comentários públicos e risco de constrangimento", disse a ex-conselheira em relação ao envio de mais de 1.000 soldados para a região devido aos recentes ataques a petroleiros no golfo de Omã.

Kwiatkowski também observou diferenças nos sinais enviados a Teerã por Trump e alguns de seus conselheiros.

A ex-conselheira do Pentágono especulou que os movimentos dos EUA podem não visar o Irã em si, mas ser uma forma de a administração Trump permanecer relevante com os "antigos" aliados na região em termos de vendas de armas, prestígio e produção de petróleo e gás.

"Trump não tem nenhuma ideia fundamental ou honesta sobre a razão por que o Irã é 'importante' para os EUA", finalizou.

Plano de ação concreto

Para o especialista independente e cientista político russo Andrei Suzdaltsev, os Estados Unidos estão simplesmente tentando intimidar o Irã.

"Não há possibilidade de entrar em uma verdadeira guerra com o Irã. É claro que é possível derrotar a frota iraniana, que é pequena, já a invasão é simplesmente impossível […] Os EUA estão simplesmente […] tentando assustar o Irã, fazê-lo jogar pelas regras de Washington, pelo cenário americano no que respeita ao acordo nuclear", comentou Suzdaltsev ao serviço russo da Rádio Sputnik.

Segundo o cientista político russo, o governo Trump ainda não foi capaz de decidir sobre um plano de ação concreto para Teerã.

"O Irã é um grande país, um importante fornecedor de petróleo para o mercado mundial. E, é claro, a política de pressão, as histerias de 'atacar - não atacar, bombardear - não bombardear', tem um efeito boomerang sobre os EUA", complementa.

© flickr.com / DysanovicDrone estratégico americano RQ-4B-40 Global Hawk
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Drone estratégico americano RQ-4B-40 Global Hawk

A tensão entre Washington e Teerã aumentou depois que a Guarda Revolucionária Islâmica derrubou um drone espião Global Hawk, que Teerã afirmou estar violando o espaço aéreo iraniano. Trump afirmou inicialmente que o Irã havia cometido "um grande erro", posteriormente afirmou que duvidava que a derrubada do drone fosse intencional.

As opiniões expressas pelos especialistas neste artigo não refletem necessariamente as da Sputnik.

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