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'Ataques' de Bolsonaro contra índios e florestas podem melar acordo entre UE e Mercosul

© Sputnik / Thiago de AraújoPresidente Jair Bolsonaro durante coletiva de imprensa após evento do Dia da Vitória, no Rio de Janeiro
Presidente Jair Bolsonaro durante coletiva de imprensa após evento do Dia da Vitória, no Rio de Janeiro - Sputnik Brasil
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Centenas de grupos ativistas pediram nesta terça-feira à União Europeia (UE) que "interrompa imediatamente as negociações" para um acordo comercial com os países do Mercosul por conta do suposto dano do Brasil a seus povos indígenas e florestas tropicais.

O apelo de mais de 340 grupos poderia complicar ainda mais a tentativa da UE de concluir 20 anos de negociações para um acordo de livre comércio com o Brasil e seus parceiros do Mercosul como Argentina, Uruguai e Paraguai.

Em uma carta aberta, o Greenpeace e uma série de ONGs da Europa e da América Latina lembraram à UE que já havia suspendido as preferências comerciais com Mianmar e as Filipinas por supostos abusos contra os direitos humanos.

"É hora de a UE adotar uma postura semelhante e dura para evitar uma deterioração dos direitos humanos e da situação ambiental no Brasil", informaram os ativistas por meio de uma carta. "Portanto, pedimos que vocês interrompam imediatamente as negociações para um acordo de livre comércio UE-Mercosul", acrescentou.

O comunicado pediu a Bruxelas para "garantir que nenhum produto brasileiro vendido na UE, nem os mercados financeiros que os sustentam, estão levando a aumentos no desmatamento, grilagem de terras nativas ou violações de direitos humanos".

A carta também pedia o fim das negociações comerciais até que o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, assuma compromissos concretos para implementar o acordo climático de Paris em 2015.

A comissária europeia para o comércio, Cecilia Malmstrom, declarou a jornalistas na segunda-feira que as autoridades da UE estão em contato próximo com o crescente número de ONGs que expressam preocupação.

Autoridades da UE "ouviram e tentaram ver o que podemos fazer", disse a comissária sueca.

"Existem algumas medidas tomadas no Brasil com as quais certamente não concordamos e um acordo comercial não pode resolver todas as misérias do mundo", avaliou Malmstrom.

"Mas podemos obter um contexto para discutir essas questões. Estamos certamente tentando obter um capítulo sobre comércio e desenvolvimento sustentável que seja o mais ambicioso possível, mas ainda não está pronto", completou.
O brasileiro Bolsonaro e o argentino Mauricio Macri expressaram confiança no início deste mês de que o acordo será assinado em breve.

Malmstrom afirmou que os dois blocos estão perto de um acordo e manifestou a esperança de que possa ser alcançado antes que a atual Comissão Europeia pare em novembro.

O principal obstáculo tem sido a relutância europeia em abrir seu mercado a produtos agrícolas da América do Sul e, mais recentemente, surgiram diferenças com o Brasil sobre o comércio de carne, açúcar e automóveis.

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