Disputa comercial entre as 2 maiores potências mundiais pode frear economia chinesa?

© AP Photo / Andy WongBandeiras dos EUA e China (imagem de arquivo)
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Em meio à escalada da guerra comercial entre Pequim e Washington, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu as previsões de crescimento econômico da China de 6,3% para 6,2% em 2019.

Enquanto os analistas da empresa global de serviços financeiros Morgan Stanley também reduziram sua previsão de crescimento do PIB chinês de 6,5% para 6,4%, as organizações internacionais acreditam que o conflito comercial não exercerá um forte impacto na economia chinesa.

No entanto, o FMI prevê que, se essa disputa econômica continuar, em dois anos o crescimento será inferior a 6%, e em 2024 cairá para 5,5%.

A maioria dos analistas esperava que não houvesse mais escalada de tensões após o acordo comercial firmado entre os líderes dos dois países na Argentina.

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Porém, o aumento dos direitos aduaneiros sobre os produtos chineses por parte dos EUA, sob o pretexto de que a China tinha decidido reescrever todos os principais termos do acordo, surpreendeu os mercados.

Com o objetivo estratégico de duplicar o PIB chinês até 2020 em relação a 2010, o crescimento econômico da China não deve cair abaixo de 6%, escreve a Reuters. E essa queda não é esperada por nenhuma entidade financeira ou econômica do país asiático ou internacional.

Zhou Rong, especialista do Instituto Chongyang de Estudos Financeiros, disse à Sputnik China que uma futura desaceleração do crescimento do PIB está de acordo com a tendência de abandonar as prioridades quantitativas em favor da melhoria da qualidade do desenvolvimento econômico.

"A influência da guerra comercial EUA-China na economia chinesa é significativa porque um considerável volume de exportações está sujeito a restrições. Isso, por sua vez, leva a que a mercadoria não encontre mercados, o que se reflete no trabalho de algumas empresas", destaca o analista.

Para Rong, já há muito tempo que a economia chinesa tem estado sob pressão das sanções americanas e, por isso, o impacto do conflito comercial será significativo, mas não tão dramático como o esperado. Contudo, as autoridades chinesas estão estimulando ativamente o consumo interno e a divisão do trabalho está se tornando cada vez mais clara.

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"Agora aderimos ao seguinte princípio: construir sobre inovações próprias e estimular a demanda interna. O papel desses dois fatores ficou claro […] As medidas americanas afetam o mundo inteiro, a economia mundial pode desacelerar, e não apenas a China. E a culpa é dos EUA", destaca o especialista.

O especialista recorda que Pequim mudou os modelos de produção, antes mesmo da atual guerra comercial, e deslocou as prioridades dos aspectos quantitativos para os qualitativos, visando estimular ativamente o desenvolvimento de inovações, pois o gigante asiático está ciente de que a base da competitividade moderna é a posse de alta tecnologia.

Rong explica que a geração nascida na década de 90 entrou no mercado e, ao contrário de seus pais, está disposta a consumir e não a economizar. É por isso que o governo chinês apoia este impulso e tenta melhorar o clima empresarial e as condições de financiamento das empresas privadas, que criam 80% dos postos de trabalho no país.

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