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Economista sobre redução do crescimento no Brasil: 'Previdência está na raiz do problema'

© Luis Macedo / Agência BrasilTexto da reforma da Previdência é apresentado no Congresso Nacional
Texto da reforma da Previdência é apresentado no Congresso Nacional - Sputnik Brasil
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A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) voltou a reduzir a previsão de crescimento do Brasil para 2019, desta vez para 1,4%, menos da metade dos 3,4% previstos para a média mundial. Segundo especialista ouvida pela Sputnik, reformas estruturais serão condição essencial para evitar estagnação da economia.

O estudo Perspectivas Econômicas da OCDE previa em março o crescimento de 1,9%, valor que já era menor que o esperado em novembro do ano passado, quando a organização projetou 2,1% para o Brasil. De acordo com a especialista em macroeconomia e professora da Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração da UFRJ (Coppead), Margarida Gutierrez, o relatório é um indício da urgência das reformas estruturais na economia brasileira.

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Gutierrez diz que o país passa por "um problema fiscal gravíssimo, com uma dívida pública em relação ao PIB que já é a 3ª maior do mundo entre países emergentes", só atrás de Egito e Angola. A professora conta ainda que a tendência é que o Brasil passe a liderar a lista já a partir deste ano, com uma perspectiva de significativa piora nos indicadores macroeconômicos.

"A previdência está na raiz destes problemas, mas fora a reforma desta, há várias outras que precisam ser feitas e dizem respeito à agenda do crescimento da economia, como a [reforma] tributária. A [reforma] da previdência é condição necessária — não suficiente —, mas essencial para a recuperação da economia. Do contrário, entraremos em um processo de desaceleração brutal e chegaremos a uma recessão", prevê Margarida.

Mesmo assim, a professora não acredita que a aprovação do projeto enviado pelo governo Bolsonaro ao Congresso signifique imediata recuperação do mercado do trabalho. Ela explica que há uma defasagem de resposta entre as duas variáveis.

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"O mercado de trabalho é o último a entrar na crise e o último a sair. Isso acontece porque existem custos ao se demitir e também para contratar. O empresário espera até o último momento para saber se deve investir, até ter mais certeza que a recuperação da economia vem para ficar", analisa.

Crescimento mundial deve cair

Margarida avalia ainda que o Brasil precisa correr se quiser passar sem grandes dificuldades por um período de desaceleralação da economia mundial. Embora não preveja uma queda tão substantiva quanto "a catástrofe internacional de 2008", a professora diz que já é possível notar a desaceleração na zona do euro, na Inglaterra, no Japão e na China. 

"Na zona do euro, as perspectivas de crescimento não são animadoras, com taxas de crescimento populacional baixa e por vezes negativa. Temos alto grau de endividamento entre os agentes econômicos, principalmente os governos de países periféricos. O Japão tem uma estagnação singular que vem desde o final dos anos 80, com perspectivas de consumo baixas", conta. 

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Mesmo com significativa melhora nos indicadores e quebra de recordes, o boom da economia americana também pode estar dando sinal de esgotamento na visão da professora. "Eles vêm batendo no pleno emprego no mercado de trabalho, o que por si só já indica sinais de recessão, já que faltará de mão de obra e isso causará crescimento dos salários".

A nível mundial, a ameaça premente é a guerra comercial iniciada por Trump contra a China que já começa a dar sinais mais concretos em todas as regiões.

"Isso está criando dificuldades de transação no mundo, tirando pontos no crescimento do PIB mundial, algo como 0,7%. Em ambientes de incerteza, o apetite por títulos de risco diminui, então a liquidez de capitais para países emergentes como o Brasil cai bastante. As taxas de câmbio ficam mais pressionadas, o crédito fica menor, os fluxos de comércio também", finaliza.

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