Irã adverte: um 'acidente' pode provocar guerra com EUA

© AFP 2022 / Ebrahim Noroozi / JamejamonlineNavio iraniano lança míssil no estreito de Ormuz
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As tensões entre Washington e Teerã continuam aumentando em meio às ameaças norte-americanas de derrubar até "zero" as exportações iranianas de petróleo e as advertências das autoridades iranianas de que o país pode fechar o estratégico estreito de Ormuz, caso sua segurança seja ameaçada.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, não acredita que uma guerra entre o Irã e os EUA seja iminente ou inevitável, mas não exclui a possibilidade de algum "acidente" resultar em um conflito militar.

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Falando ao The Independent em uma entrevista publicada nesta quinta-feira, o ministro das Relações Exteriores iraniano indicou que o estreito de Hormuz, um importante canal através do qual passam cerca de 20% do suprimento mundial de petróleo, pode ser a faísca a desencadear uma guerra por falta de comunicação entre os militares dos EUA e a Guarda Revolucionária Iraniana, com cada lado rotulando o outro de "terroristas".

Zarif também lembrou um incidente de janeiro de 2016, no qual dois navios da Marinha dos EUA entraram em águas iranianas no Golfo Pérsico e foram detidos pelas forças do Irã. Aqui foi possível evitar a escalada graças à existência de uma linha direta de comunicação entre Zarif e o então Secretário de Estado John Kerry. "Mas hoje não existe tal linha de comunicação entre o ministro das Relações Exteriores iraniano e o secretário de Estado dos EUA. Assim, um incidente similar no Golfo Pérsico pode sair rapidamente do controle", observou The Independent.

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Zarif passou grande parte da semana passada nos EUA, onde comentou com diversos jornalistas sobre os perigos de outra guerra no Oriente Médio. A viagem incluiu uma entrevista com a Fox News, durante a qual o ministro das Relações Exteriores disse sentir que o presidente Trump não tinha interesse em guerra, mas que alguns de seus funcionários e aliados dos EUA, incluindo o assessor de segurança nacional John Bolton, primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, e a Arábia Saudita, estavam interessados ​​em "arrastar os Estados Unidos para um conflito".

Em um evento separado na semana passada, Zarif alertou que o Irã continuaria vendendo seu petróleo no exterior apesar das ameaças dos EUA e advertiu que Washington deveria se preparar para enfrentar "consequências" se adotar "a medida louca" de tentar impedir que o Irã venda seu petróleo.

Tensões de longa data entre o Irã e os Estados Unidos pioraram em maio de 2018, quando Washington se retirou unilateralmente do acordo nuclear com o Irã e adotou novas sanções contra o país.

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