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Especialistas respondem: é possível o Brasil intervir militarmente na Venezuela?

© Marco BelloUn partidario de Nicolás Maduro con la pancarta "Manos fuera de Venezuela"
Un partidario de Nicolás Maduro con la pancarta Manos fuera de Venezuela - Sputnik Brasil
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"Todas as opções estão na mesa". Essa é uma frase corriqueira dos Estados Unidos quando perguntado sobre a possibilidade de realizar uma intervenção militar na Venezuela. Alguns integrantes do governo Bolsonaro também já se mostraram simpáticos à ideia.

Rumores recentes dão conta que o Ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, é um dos que cogita a possibilidade do Brasil se aliar aos Estados Unidos em uma eventual intervenção bélica na Venezuela.

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No entanto, o posicionamento do chanceler brasileiro não é compartilhado pela ala militar do governo Bolsonaro. Depois do fracasso da operação de Guaidó, Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), afirmou que o presidente da Assembleia Nacional "se perdeu no caminho".

Segundo Rafael Araújo, professor de Relações Internacionais da UERJ, a divisão entre um grupo pró-intervenção e outro mais moderado tem causado estranhamentos no governo.

"Você tem de um lado essa linha que parece mais próxima de Jair Bolsonaro, sua família e o Ernesto Araújo e do outro lado um grupo capitaneado pelo general Augusto Heleno e Hamilton Mourão que, de fato, tem tido em vários momentos dessa crise uma posição mais moderada", disse em entrevista à Sputnik Brasil.

Porém, por mais que exista essa divisão, Araújo comenta que há algo em sintonia no governo Bolsonaro em relação a Venezuela.

"Embora essa divisão tenha um traço de ligação: a oposição a Nicolás Maduro. O Brasil hoje está perfilado ao lado daqueles que tem o tom bastante crítico em relação a Venezuela e são claramente opositores a continuidade de Maduro na presidência venezuelana", afirmou.

O ex-secretário-geral do Itamaraty, Marcos de Azambuja, concorda com o diagnóstico feito por Rafael Araújo.

"O Brasil é contra qualquer intervenção militar na Venezuela, o Brasil quer preservar a qualidade da sua relação com um grande amigo e vizinho, que é a Venezuela, e o Brasil reconhece que o governo venezuelano se afastou das práticas e das normas que definem plenamente um regime democrático", disse à Sputnik Brasil.

Apesar de não reconhecer a legitimidade de Maduro, Azambuja acredita que o Brasil deve buscar a via diplomática para a resolução do impasse na situação da Venezuela.

"O Brasil acredita que a Venezuela tem de ser induzida por via diplomática, por negociação a encontrar uma solução para o impasse político que se perpetua com sofrimento e com dificuldades, uma coisa é isso, outra é rejeitar a ideia de intervenção militar num país vizinho e amigo", completou.

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