Juncker revela quais países impedem a aguardada reforma da União Europeia

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A Holanda, a Áustria "e muitas vezes a Alemanha" estão impedindo uma integração mais profunda da zona do euro, revelou o presidente da Comissão Europeia (CE), Jean-Claude Juncker, ao jornal alemão Handelsblatt.

O presidente da França, Emmanuel Macron, pressionou por reformas radicais na zona do euro, mas se defronta com a resistência dos países do norte da Europa, que preferem se unir mais estreitamente às economias mais fracas do sul da zona do euro.

"Não há progresso com o aprofundamento da união monetária porque a Holanda, a Áustria e, com muita frequência, a Alemanha estão no caminho quando se trata de solidariedade em ação e responsabilidade conjunta", disse Juncker.

"No entanto, ainda estou esperançoso. A Alemanha ainda não está preparada para isso, mas muitos políticos alemães querem progredir nessa área", acrescentou ele na entrevista, a ser publicado online nesta quinta-feira.

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Perguntado se as chamadas euro-obrigações, ou dívidas emitidas em conjunto para os membros da zona do euro, poderiam ser esperadas em algum momento, Juncker respondeu: "Sim, mas de outra forma e com outro nome".

Ele se recusou a falar sobre negociações fracassadas de fusões entre o Deutsche Bank e o Commerzbank. "Mas ninguém pode afirmar que tudo é cor de rosa no setor financeiro alemão", completou.

Juncker, cujo mandato como presidente do conselho executivo da União Europeia (UE) expira neste ano, disse que "não defende a favor ou contra" Jens Weidmann, o chefe do banco central nacional da Alemanha, para suceder Mario Draghi como presidente do Banco Central Europeu.

"Eu não me importaria se houvesse um presidente alemão do BCE ou da Comissão Europeia", pontuou. "Eu definitivamente não compartilho da opinião que prevalece em partes do sul da Europa de que um alemão não pode ser presidente do BCE".

Voltando às relações comerciais com os Estados Unidos, Juncker disse que a UE não quer chegar a um acordo abrangente nos moldes da Parceria Transatlântica (TTIP), que não se concretizou depois de três anos de negociações.

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"Não, não haverá uma TTIP II. Mas vamos concordar em alguns pontos-chave", disse Juncker, acrescentando que pretende conversar sobre comércio com o presidente dos EUA, Donald Trump, à margem de uma reunião das potências econômicas do G20, no Japão, no final de junho.

Ele ressaltou que a UE não queria incluir produtos agrícolas em um acordo, acrescentando: "Os americanos continuam tentando, mas nós temos resistido. Se o governo francês alegar ser diferente, então está incorreto".

O Brexit foi um "alerta, um alerta para os membros do bloco", avaliou Juncker. "Ficou claro para os cidadãos da UE que eles não podem considerar a UE como algo garantido e que, mesmo assim, isso poderia ter conseqüências desastrosas".

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