Chacina de leões: investigação expõe comércio repugnante de felinos na África do Sul

© AFP 2022 / Ahmad GharabliLeão abandonado é visto em jaula no zoológico de Muntazah al-Nour, Iraque, em 28 de março de 2017
Leão abandonado é visto em jaula no zoológico de Muntazah al-Nour, Iraque, em 28 de março de 2017 - Sputnik Brasil
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Milhares de leões são criados em recintos fechados para serem abatidos por caçadores que os matam por diversão.

Segundo o artigo do jornal britânico Daily Mail, alguns felinos são mortos para que seus "ossos possam ser transformados em medicamentos e bugigangas" e revendidos por valores exorbitantes no Extremo Oriente, enquanto outros são transportados para matadouros e "mantidos em condições terríveis até serem abatidos".

Essa indústria repugnante foi exposta após uma investigação de um ano, feita por Lord Ashcroft e sua equipa de investigadores infiltrados, que acusou o Governo britânico de ser cúmplice no comércio por não ter proibido a importação de peles destes animais.

"A África do Sul é o único país do mundo que permite a criação de leões em larga escala, com animais majestosos mantidos em cercados ou gaiolas em mais de 200 fazendas e recintos fechados", escreveu o ativista no artigo.

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Neste domingo (28), a revelação de Ashcroft teve um final feliz, após um leão ter sido resgatado da morte e libertado para a selva.

A edição escreve que, em apenas dois dias, "54 leões foram mortos em um matadouro miserável".

Os conservacionistas afirmaram que leões e tigres são cruzados em cativeiro em uma "tentativa repugnante de obter maiores lucros com o comércio bárbaro de ossos" e que suas peles são "contrabandeadas para os EUA através da Grã-Bretanha".

"Surpreendentemente, os 12.000 animais que foram reproduzidos e criados em cativeiro superam em número os leões selvagens no país em quase quatro para um", adicionou Ashcroft.

Um leão de 11 anos, chamado Simba, e que esteve no centro da investigação de Lord Ashcroft, foi criado em cativeiro e apresentado a caçadores estrangeiros à procura de espécimes de primeira qualidade para abate.

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Graças aos investigadores infiltrados, Simba foi salvo e libertado de um grande recinto secreto horas antes de ser abatido por um caçador profissional que já estava a caminho para matar o leão.

O felino havia sido oferecido para abate no ano passado ao caçador britânico Miles Wakefield, de 48 anos, que pagou cerca de £ 3.000 (R$ 15.208) para perseguir o animal através de uma área de caça fechada antes de disparar dois poderosos dardos tranquilizantes nele. Wakefield alegou que foi "enganado" pelos chefes dos safaris que organizaram a caçada, acreditando se tratar de uma operação legal.

"Os clientes de caça pagam até £42.300 para matar um macho grande, muitas vezes colocando depois triunfantemente sua cabeça em uma parede", revelou o ativista.

A investigação aumenta a pressão sobre o governo, enquanto o secretário do Ambiente da Grã-Bretanha, Michael Gove, disse que está prevista uma reunião referente ao assunto.

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