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Economista explica por que se afastar do BRICS é 'pouco natural' para Brasil

© Sputnik / Grigory Sysoev / Abrir o banco de imagensOs líderes russo, sul-africano, indiano, chinês e brasileiro na reunião multilateral durante a IX cúpula dos BRICS (foto de arquivo)
Os líderes russo, sul-africano, indiano, chinês e brasileiro na reunião multilateral durante a IX cúpula dos BRICS (foto de arquivo) - Sputnik Brasil
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No ano em que o Brasil deve sediar a cúpula do BRICS, surgiram maiores incertezas sobre o desempenho do país no bloco, ocasionadas pela postura do governo Jair Bolsonaro, que abertamente apela para mais alinhamento com os EUA, Israel e outros países fora do bloco.

Em entrevista à Sputnik Brasil, o professor do Instituto de Economia da UNICAMP, Mariano Francisco Laplane, comentou o desempenho do governo Bolsonaro em relação ao BRICS, reforçando que se trata se uma posição "pouco natural" do país. 

O analista destacou que, tradicionalmente, a postura internacional do Brasil é bastante independente, já que o país historicamente possui cooperação econômica com uma grande parte do mundo. 

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"O Brasil tradicionalmente tem optado por um posicionamento internacional bastante independente, bastante autônomo. O Brasil é um país que tem cooperações comerciais historicamente com boa parte do mundo", disse, acrescentado que devido ao perfil econômico do país, o Brasil exporta produtos "que todo mundo demanda". 

Laplane reforçou que no Brasil operam ativamente várias empresas estrangeiras, enquanto companhias brasileiras também atuam por todo o mundo, sendo natural que "o Brasil se coloque no mundo em uma posição aberta ao diálogo, bastante abrangente".

Pelo mesmo motivo é natural que o Brasil se aproxime de outros países que tenham perfis semelhantes, não somente no ponto econômico, mas no que diz respeito às dimensões territoriais, número populacional e problemas semelhantes, apontou o economista. Porém, segundo ele, o governo Jair Bolsonaro "tem trazido uma mudança nessa postura". 

"O governo Bolsonaro tem uma visão de mundo que o leva a tentar fazer uma opção, ele quer escolher amigos e quer escolher inimigos", disse, indicando uma opção preferencial de aliança com os EUA e com Israel da administração Bolsonaro.

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"Curiosamente, acho que se afastando das tradições da diplomacia brasileira, ele se afasta de países dos quais e com os quais existiam operações muito próximas, e cooperações", apontou Laplane, mencionando tais países como a Rússia e a China. 

De acordo com o analista, trata-se de uma postura "pouco natural" do país, que não possui uma "realidade objetiva".

"Isto é uma coisa muito pouco natural, é uma coisa que não tem base real, objetiva. Tem muito a ver com ideologia, convicções do mundo, convicções religiosas, mas não com propriamente a realidade objetiva", afirmou. 

Laplane acredita que, neste sentido, o BRICS é o que se encaixa na pauta internacional do Brasil, contrariando o afastamento do país dos demais integrantes do bloco, reforçado pela administração de Bolsonaro. 

"Acho que o Brasil deve voltar, não deveria ter se afastado nunca, da posição histórica de manter uma posição aberta de diálogo e cooperação. Diálogo com todos, negócios com todos, e cooperação com aqueles que se apresentam com semelhanças, com problemas comuns e com características comuns ao Brasil. E acho que o BRICS se encaixa exatamente nessa última categoria", disse.

Ele explicou por que o Brasil necessita do BRICS. 

"O BRICS é um grupo de países com os quais o Brasil tem afinidades […] São os países que tem certo peso nas regiões onde são localizados. São os países que tem certo peso na economia mundial, pelo seu porte, pela dimensão territorial e pela dimensão populacional", concluiu o analista.

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