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Coronel da reserva defende força-tarefa contra atuação de milícias no Rio

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Os dois prédios que ruíram na comunidade da Muzema, Zona Oeste do Rio, deixando mais de 20 mortos, e a decisão de demolir outros 16 prédios condenados pelas autoridades puseram mais em evidência a atuação criminosa das milícias no Rio de Janeiro. Mas por que os sucessivos governos têm se revelado impotentes para conter as ações dos milicianos?

Após o desabamento de dois prédios na comunidade da Muzema, surgiram relatos na imprensa de que milicianos estariam por trás das construções irregulares que foram abaixo no último dia 12, matando ao menos 20 pessoas e deixando outras três desaparecidas. Nesta sexta-feira, a justiça decretou a prisão temporária de três investigados no caso, suspeitos de construir e vender os apartamentos destruídos.

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Tal situação revela que, apesar dos esforços de combate das autoridades, o poder das milícias segue consolidado em várias áreas da cidade e do estado, com braços poderosos atuando em diversos setores, deixando a população em dúvida sobre a real possibilidade de todo esse poder criminoso ser contido algum dia.

De acordo com Robson Rodrigues, coronel da reserva da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, ex-comandante do Estado-Maior da PMERJ e ex-comandante de várias unidades da PM, ao contrário do narcotráfico, as milícias apresentam uma estrutura de operação mais complexa, o que dificulta o combate. Para ele, há uma flagrante ineficiência das forças policiais, das agências de controle e do Ministério Público no enfrentamento desses grupos, contra os quais seria necessária a implantação de uma força-tarefa bem estruturada para conter seu avanço.

"Deveria ter, sim, um trabalho de inteligência muito mais eficaz, trabalhando em cima dos lucros, naquilo que não é muito visibilizado para as forças de segurança preventiva, no caso, a Polícia Militar", disse ele em entrevista à Sputnik Brasil. "Então, é preciso uma força-tarefa muito mais estruturada, com inteligência suficiente para atuar nesse fluxo do dinheiro e com uma certa especialização nesse tipo de criminalidade."

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Rodrigues argumenta que boa parte do sucesso dos milicianos se deve ao apoio de políticos que "aprovam esse tipo de comportamento criminoso como se fosse algo que viesse a suplementar a segurança pública", o que não reflete a realidade. Ao contrário, ele acredita que é ainda mais pernicioso esse tipo de prática criminosa do que o próprio tráfico de drogas.

"Outro problema é o das próprias forças de polícia, do próprio sistema de justiça criminal e segurança pública, que é um sistema míope. A gente está muito mais voltado e muito mais capaz para as coisas muito mais visíveis, aquilo que não precisa de uma inteligência, de uma investigação muito mais aprofundada, especializada, com um investimento intelectual muito mais forte, uma capacidade, uma qualificação, meios tecnológicos de investigação."

Ainda segundo o coronel, outro fator importante a se destacar é que as milícias cariocas têm mudado o seu comportamento ao longo dos últimos tempos, adotando uma postura mais ostensiva, mais violenta, menos preocupadas em fazer propagandas sobre uma suposta intenção de combater a criminalidade local.

"Essa violência, esse terror que impõe o medo, que dificulta as investigações, isso é uma tática que já vinha sendo feita pelo narcotráfico e a milícia lançava mão poucas vezes disso. Mas, recentemente, a milícia tem se igualado nessa tática de terror, tal qual o narcotráfico." 

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