Analista: Bloqueio de dinheiro venezuelano em Portugal evidencia 'um mundo sem lei'

© AFP 2022 / PATRICIA DE MELO MOREIRAA bandeira de Portugal durante manifestações de 25 de abril, 2016
A bandeira de Portugal durante manifestações de 25 de abril, 2016 - Sputnik Brasil
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A retenção em Portugal de mais de US$1,7 bilhões da Venezuela é a demonstração de que "estamos vivendo em um mundo sem lei", disse o analista internacional Sergio Rodríguez Gelfenstein à Sputnik.

Através de uma rede de rádio e televisão, o presidente venezuelano Nicolás Maduro afirmou que um banco português congelou uma conta bancária com US$ 1,72 bi que o governo usaria para comprar medicamentos e alimentos. "Estou pedindo ao governo de Portugal para liberar os recursos. Por que eles estão tirando esse dinheiro de nós?" questionou Maduro.

Nicolás Maduro, presidente da Venezuela (foto de arquivo) - Sputnik Brasil
Maduro exige que Portugal desbloqueie fundos da Venezuela no valor de US$ 1,7 bilhão
Para Sergio Rodríguez Gelfenstein, a decisão de Portugal é influenciada pelos EUA, que "dirigem todas as operações contra a Venezuela" e buscam isolar o país por meio de "ameaças".

Como exemplo, Gelfenstein apontou a decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de revogar o visto da procuradora do Tribunal Penal Internacional (TPI) Fatou Bensouda, a multa de US$1,3 bi imposta ao banco italiano Unicredit por realizar operações com Cuba e a detenção "ilegal" em Londres do fundador do Wikileaks, Julian Assange.

"Todo o direito internacional está desmoronando e as Nações Unidas estão perdendo força", disse ele. "É o desaparecimento do direito internacional, retornaremos a um sistema em que prevalece a lei do mais forte, sem qualquer contrapeso a qualquer contratempo que os EUA possam fazer em qualquer parte do mundo".

O analista destacou que o governo da Venezuela mostra que "os Estados Unidos ameaçaram metade do mundo", construindo "um estado de terror". Além disso, ele ressaltou que a retenção de dinheiro é um "ato artístico", porque "de um momento para outro [a Venezuela] descobriu que não podia usá-lo".

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