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Lama de Mariana causou danos irreparáveis em corais do Parque de Abrolhos, diz estudo

© Foto / Fred Loureiro/SecomRio Doce coberto de lama que vazou da barragem do Fundão, em Mariana
Rio Doce coberto de lama que vazou da barragem  do Fundão, em Mariana - Sputnik Brasil
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Estudo feito pela UERJ revelou que os corais do Parque Nacional dos Abrolhos sofreram danos irreparáveis causados pela lama tóxica vazada no rompimento da barragem em Mariana, MG, em 2015. A Sputnik Brasil conversou com o coordenador do estudo, Heitor Evangelista, sobre os impactos da lama nos corais.

O relatório apresentado pela UERJ mostra que a lama tóxica vazada no rompimento da barragem em Mariana, MG, em 2015, se incorporou aos corais do Parque Nacional dos Abrolhos, considerado o recife de corais mais importante do Atlântico Sul. 

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Em entrevista à Sputnik Brasil, o diretor do Laboratório de Radioecologia e Mudanças Globais da UERJ e coordenador do estudo, Heito Evangelista, explicou o método de pesquisa que levou à conclusão sobre o impacto da lama de Mariana em Abrolhos.

"A gente já trabalhava em Abrolhos desde 2005 utilizando os corais como uma forma de representar as variações que ocorrem na coluna d'água do oceano. Os corais são organismos que na medida em que vão se desenvolvendo eles vão formando o esqueleto através de camadas de crescimento e cada camada dessas tem um ano diferente, e se você analisa essas camadas, você pode voltar no tempo e saber a que tipo de impactos aquela região foi submetida", explica. 

O especialista comentou que "o registro desse impacto fica permanentemente dentro dos corais", mas apenas um monitoramento de médio e longo prazo poderá dar uma precisão sobre o caráter do impacto.

"A área de impacto da lama quando ela chega no oceano atinge rapidamente dezenas de quilômetros de distância. Então não há como você remediar um processo dessa magnitude. Então o que a gente sabe é que em torno da foz do Rio Doce houve um impacto considerável, e na medida em que você se afasta da foz do Rio Doce, esse impacto vai diminuindo", acrescentou. 

A pesquisa feita pela UERJ mostra que resíduos tóxicos da lama se espalharam rapidamente pelo Rio Doce e atingiram a região costeira. Heitor Evangelista observou que a dimensão do impacto causado pelo rompimento da barragem e da lama muitas vezes não pode ser visível.

"Muitas vezes ao olhar pra lama se identifica o raio de ação dela pela imagem de satélite ou por um sobrevoo de helicóptero, e você vê aquela mancha vermelha. Mas a grande verdade é que muitos materiais que estão contidos nessa lama, eles se solubilizam e podem ir numa fração muito fina. Isso você não consegue identificar via imagem de satélite ou fotografia aérea […] O que nossos estudos mostram é que logo após a chegada dessa pluma, os corais incorporaram metais pesados como zinco, cobre, arsênio, entre outros metais", completou. 

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