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Saída dos EUA do Tratado INF pode abrir 'Caixa de Pandora', avisa especialista

© AFP 2021 / DANIEL MIHAILESCUO sistema de defesa antimíssil Aegis Ashor norte-americano na base militar em Deveselu, Romênia (foto de arquivo)
O sistema de defesa antimíssil Aegis Ashor norte-americano na base militar em Deveselu, Romênia (foto de arquivo) - Sputnik Brasil
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A decisão dos EUA de abandonar o histórico Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF) "apesar das advertências e sem considerar as consequências", pode afetar a humanidade de maneira tão destrutiva como a abertura da Caixa de Pandora na mitologia grega, disse o analista Theodore Postol em seu artigo para o jornal The New York Times.

De acordo com Theodore Postol, professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts e especialista em defesa antimíssil, o prolongado conflito entre Moscou e Washington remonta à decisão errada da Administração Obama (ex-presidente dos EUA) de instalar o sistema de defesa antimíssil Aegis na Polônia e na Romênia.

Sob o pretexto de garantir cobertura defensiva contra o Irã, Obama não levou em conta que, na realidade, as novas instalações não eram eficazes contra mísseis iranianos de longo alcance, devido à incapacidade dos radares do Aegis de detectá-los com antecedência bastante para reagir adequadamente com aviões interceptores, explicou o especialista.

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A Rússia, por sua vez, se encontra suficientemente perto da Romênia e da Polônia, de modo que o Aegis, capaz de ser rapidamente armado com mísseis de médio e curto alcance, representa um perigo de ataque imediato, com muito pouco tempo de aviso. Segundo o especialista, essa "escandalosa inépcia" foi vista pelo Kremlin como uma ameaça direta, que acusou Washington de violar o Tratado INF.

Desde então e ao longo dos últimos anos, a Rússia e os EUA se têm acusado mutuamente da suposta violação dos termos do acordo. Postol sublinha que os sistemas americanos na Europa de Leste – se estiverem equipados com mísseis de cruzeiro – seriam uma violação de fato do documento. Moscou reitera que cumpre rigorosamente as obrigações do acordo, que deu luz verde ao processo de desarmamento nuclear das duas superpotências.

Desde que o tratado foi assinado pelo então presidente dos EUA, Ronald Reagan, e pelo último líder soviético, Mikhail Gorbachev, as armas nucleares foram modernizadas. Segundo o autor do artigo, as novas características dos arsenais aumentam significativamente a possibilidade de "um uso catastrófico não intencional de armas nucleares durante uma crise imprevista", por isso, se o tratado for destruído, ambos os países estarão em perigo.

Desde 2 de fevereiro, os EUA suspenderam suas obrigações quanto ao INF, assinado em 1987 com a então União Soviética, que não tem data de expiração e proíbe as partes de terem mísseis balísticos terrestres ou mísseis de cruzeiro com alcance entre 500 e 5.500 quilômetros.

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O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, reafirmou que os EUA se retirarão formalmente do acordo no início de agosto, a menos que a Rússia o cumpra plena e comprovadamente.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, observou que a Rússia tem sérios questionamentos a fazer em relação à implementação do Tratado pelos próprios norte-americanos. Segundo ele, as acusações dos EUA são infundadas, uma vez que o míssil 9M729 foi testado no alcance permitido pelo tratado.

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