Especialistas comentam desavenças entre EUA e Rússia sobre situação crítica em Caracas

© REUTERS / Martin AcostaPessoas se reúnem em apoio ao líder da oposição da Venezuela, Juan Guaidó, na Praça do Vaticano, em Buenos Aires, Argentina, 23 de janeiro de 2019
Pessoas se reúnem em apoio ao líder da oposição da Venezuela, Juan Guaidó, na Praça do Vaticano, em Buenos Aires, Argentina, 23 de janeiro de 2019 - Sputnik Brasil
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O agravamento da atual situação venezuelana poderia causar o surgimento de um novo "ponto crítico" nas relações entre a Rússia e os Estados Unidos e estimular o sentimento antirrusso do establishment americano, consideram especialistas.

Neste sábado (26), as partes envolvidas terão a oportunidade de falar sobre a questão em uma reunião especialmente convocada pelo Conselho de Segurança da ONU em Nova York.

O vice-diretor de programas da Rússia e da Eurásia no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), Jeffrey Mankoff, disse à Sputnik que a situação em torno da Venezuela pode se tornar um novo ponto crítico nas relações entre Moscou e Washington.

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"A Venezuela é certamente outro potencial ponto crítico para os Estados Unidos e Rússia. Muitos em Washington acreditam que o apoio da Rússia a Maduro é uma retaliação à intervenção dos EUA na Ucrânia e outros países da antiga União Soviética, região que a Rússia considera como sua área de influência, tal como os Estados Unidos tradicionalmente fazem na América Latina", acredita Mankoff.

Para o analista, existe uma possibilidade real de que a situação em torno da Veneziuela fique fora de controle.

"A decisão dos Estados Unidos de não retirar seus diplomatas após a exigência de Maduro, na verdade, os tornam reféns. Como os EUA responderão a isso provavelmente será em grande parte determinado por eventos na política interna, mas se Washington tender a aumentar a pressão sobre Maduro ou se Maduro decidir prender ou, de qualquer outra forma, colocar em risco os diplomatas americanos, a possibilidade de intervenção militar é real", disse.

Devido a isso, os países que continuam apoiando o líder venezuelano, como a Rússia e a China, enfrentarão uma escolha difícil, reflete o especialista, comparando a situação com aquela em que Washington se encontrava quando Moscou decidiu "intervir em Kiev".

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Segundo o analista, é difícil prever as ações das autoridades russas quanto à Venezuela.

A esse respeito, o chefe do Centro de Interesses Globais em Washington, Nikolai Zlobin, também acredita que a situação em torno da Venezuela será usada de alguma maneira pelos EUA para continuar uma política antirrussa.

"Este é um tipo de discussão entre as pessoas em Washington, especialmente no Congresso, que são antirrussas. O argumento de que o presidente [da Rússia, Vladimir] Putin e a Rússia apoiaram o ditador [Maduro] será usado mais de uma vez, independentemente de como os eventos se desenvolvam na Venezuela. O fato de que os EUA e a Rússia têm estado em lados diferentes neste assunto certamente afetará a atmosfera, isso será outro problema nas relações", acredita Zlobin

O cientista político ainda lembra que a Venezuela, em virtude de sua posição, é um país relativamente próximo dos Estados Unidos, e a "postura dura" da Rússia sobre essa questão é vista por muitos americanos como" evidência da afinidade política dos dois regimes — suas características, objetivos e intenções".

Segundo ele, há pouco interesse em que os EUA e a Rússia tenham boas relações.

"A maioria dos americanos agora diz que para eles é indiferente, porque não há um único problema que os norte-americanos possam resolver com mais sucesso com a ajuda de uma aliança com a Rússia", conclui Zlobin.

No dia 23 de janeiro, tiveram início protestos de rua contra o atual presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. No mesmo dia, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, autoproclamou-se chefe de Estado interino, decisão que foi apoiada pelos EUA e vários outros países. Devido a isso, Maduro rompeu relações diplomáticas com Washington e exigiu que os diplomatas americanos deixassem o país em 72 horas. No entanto, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, recusou-se a reconhecer essa exigência, dizendo que Maduro não tem autoridade para tomar tal decisão.

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