Mudanças irreversíveis: cientistas avaliam o momento exato do 'ponto de não retorno'

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Climatologistas calcularam pela primeira vez com precisão quantos gases de efeito estufa o solo absorve e produz e descobriram inesperadamente que o "ponto de não retorno" vai chegar em breve, mais precisamente em 2060, comunicou a revista Nature.

"Enquanto a biosfera terrestre absorve cerca de 25% de emissões antropogênicas, o nível do dióxido de carbono absorvido pelo solo se mantém muito incerto, levando às incertezas em projeções climáticas", comentou Pierre Gentine da Universidade Columbia em Nova York.

Segundo o cientista, a absorção de emissões demora o aquecimento global, mas é incerto quando tempo isso pode durar. Se os apetites dos oceanos e do solo tiverem algum limite, daqui a algum tempo nós atingiremos o ponto de saturação e o processo de aquecimento global se acelerará.

A maioria dos cientistas não duvida da existência do aquecimento global e que ele terá consequências graves se não se conseguir conter o aumento da temperatura no nível de 1,5 °C, o que é confirmado pelos dados de satélites e estações meteorológicas.

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Para prevenir esse cenário trágico, todos os países assinaram em 2015 o Acordo de Paris sobre a Mudança do Clima destinado a reduzir as emissões de dióxido de carbono a partir de 2020.

Ainda antes da saída dos EUA do Acordo, os climatologistas avaliavam com ceticismo as chances de seu cumprimento, levando em conta as obrigações inexequíveis e a influência imprevisível dos processos climáticos.

Pierre Gentine e seus colegas descobriram mais um exemplo de como diversos processos climáticos podem aproximar o "ponto de não retorno" examinando o impacto do aquecimento global sobre a quantidade de água no solo.

É que a velocidade de absorção de CO2 e outros gases de efeito estufa pelas plantas e micróbios do solo pode aumentar ou se reduzir significativamente em condições de falta ou excesso de água no solo. Segundo as últimas observações, o aquecimento global aumentará significativamente o número de fenômenos climáticos extremos, inclusive inundações e secas, o que pode influir sobre a circulação de CO2 entre a biosfera, a atmosfera e o solo.

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Os cientistas norte-americanos examinaram minuciosamente esses processos, criando um modelo climático que considera a alteração do aumento da biomassa dependendo da quantidade de água no solo.

Os cálculos mostraram que as flutuações bruscas da umidade na terra e o aumento geral de sua aridez levaram a que o solo e as plantas começassem a absorver duas vezes menos CO2 do que em condições mais estáveis. Como a frequência dos fenômenos extremos aumenta em conjunto com as temperaturas, os cientistas prognosticam que a situação no futuro vai piorar.

"É uma descoberta importantíssima. Se os processos no solo se desenvolverem do mesmo modo no futuro, ele começará a absorver não mais, mas menos dióxido de carbono até meados do século. Isso levará ao aumento brusco na concentração de CO2 na atmosfera e a uma aceleração ainda maior do aquecimento global", concluiu a cientista Julia Green.

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