França convoca embaixador em Roma após comentários de vice-premiê italiano

© AP Photo / Domenico StinellisLuigi Di Maio, vice premiê da Itália
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A França convocou seu embaixador na Itália para protestar contra os comentários do vice-primeiro-ministro italiano Luigi Di Maio, que acusou Paris de continuar colonizando a África e levar as pessoas a migrarem do continente, disse uma fonte do governo à AFP.

O embaixador foi convocado nesta segunda-feira (21) após os comentários "inaceitáveis ​​e infundados" de Di Maio,  disse à AFP uma fonte do gabinete da ministra francesa da Europa, Natalie Loiseau, sob condição de anonimato.

Di Maio fez uma série de observações incendiárias enquanto visitava a região de Abruzzo, no centro da Itália. Foi o mais recente episódio de sérias tensões entre o governo populista de Roma e o líder centrista da França Emmanuel Macron.

"A União Europeia deve sancionar a França e todos os países como a França, que empobrecem a África e fazem com que essas pessoas partam, porque os africanos deveriam estar na África, não no fundo do Mediterrâneo", disse Di Maio. "Se as pessoas estão indo embora hoje, é porque os países europeus, a França acima de tudo, nunca pararam de colonizar dezenas de países africanos", acrescentou.

Respondendo à convocação de seu embaixador em Paris, Di Maio descartou a idéia de um "incidente diplomático" entre os dois países.

"A França é um desses países que, porque imprime a moeda de 14 países africanos, dificulta o desenvolvimento e contribui para a saída de refugiados", disse ele, citando um argumento comumente ouvido entre alguns ativistas de esquerda. "Se a Europa quiser ser corajosa, deve ter a coragem de enfrentar a questão da descolonização na África."

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Depois de fazer comentários criticando o governo italiano e sua abordagem à imigração no ano passado, Macron e o governo francês, desde então, evitaram entrar em disputas com Roma.

Mas as relações entre as duas capitais, geralmente próximas, se deterioraram desde que a coalizão entre o Movimento 5 Estrelas e a Liga conseguiram eleger o primeiro governo populista da União Europeia, em junho do ano passado. 

Di Maio e o vice-primeiro-ministro Matteo Salvini, do partido Liga, recentemente apoiaram os  "coletes amarelos" que protestam contra o governo de Macron desde novembro.

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