Analista vê desestabilidade da América Latina pela ruptura do Paraguai com Venezuela

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A ruptura das relações diplomáticas do Paraguai com Venezuela após a posse do presidente Nicolás Maduro para o segundo mandato de 2019 a 2025 é um mau exemplo para as relações entre países da América Latina, disse à Sputnik Mundo o cientista político da Universidade Central da Venezuela, Walter Ortiz.

"Independentemente de como isso pode afetar as relações bilaterais entre Paraguai e Venezuela, a mais afetada é a estabilidade regional em torno de como devem ser tratados assuntos entre os países, levando em consideração o exemplo muito ruim de todo o conteúdo da declaração do Grupo de Lima de 4 de janeiro", ressaltou o analista.

O presidente paraguaio, Mario Abdo, anunciou ontem (10) rompimento das relações com Caracas após apoiar a declaração do Grupo de Lima sobre ilegitimidade do novo mandato de Maduro.

"O Governo da República do Paraguai, no exercício de seus poderes constitucionais e soberania nacional, decidiu romper relações diplomáticas com a República Bolivariana da Venezuela", diz o comunicado da presidência paraguaia, o que significa também o fechamento da embaixada e retirada imediata dos diplomatas paraguaios da Venezuela.

Tática do Grupo de Lima

Segundo Walter Ortiz, a decisão do governo paraguaio é uma tática do Grupo de Lima de continuar anunciando advertências ao país.

"Sem dúvida alguma, a decisão do governo paraguaio tem a ver com a tática que deve ter sido forjada pelos membros do Grupo de Lima, sendo previsível um conjunto de ações […] parece que é uma tática de vazamento a qual se juntarão alguns países do Grupo de Lima", assinalou.

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No dia 4 de janeiro, 13 dos 14 países do Grupo de Lima apoiaram declaração reconhecedora da ilegalidade do novo mandato de Maduro, assinalando ser "uma firme mensagem política".

Tutelados pelos EUA

O cientista político indicou que as decisões de países-membros do Grupo de Lima estão sujeitas aos interesses dos EUA.

"Recordemos que o Grupo de Lima está atado a governos com concepções ideológicas determinadas que os unem, estando principalmente comprometidos com interesses do grande hegemônico governo dos Estados Unidos", explicou.

Apesar de o presidente venezuelano prometer uma resposta firme de maneira recíproca, Ortiz duvida que isso venha a ocorrer.

"O presidente falava da necessidade de buscar mecanismos regionais, tais como a Comunidade de Estados Latino-americanos ou a criação de algum grupo de contato dos governos da América Latina, para começar a gerar mecanismos de entendimento regional, porque o problema está mais longe de reciprocidade diplomática que leva a tais ações, como retirada de embaixadores e fechamento de embaixadas", comentou.

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O governo paraguaio também decidiu suspender desde 10 de janeiro a aplicação do Acordo sobre a Supressão de Vistos e Passaportes Diplomáticos, Oficiais e de Serviços, assinado no dia 8 de janeiro de 1990.

No entanto, em relação ao "êxodo em massa de cidadãos venezuelanos aos países da região, o Paraguai continuará acompanhando as iniciativas de coordenação regional destinadas a dar resposta a essa delicada crise migratória, sem prejuízo de continuar exortando em instâncias multilaterais, a entrada da assistência humanitária à República Bolivariana da Venezuela".

As autoridades venezuelanas até agora não declararam posicionamento à decisão do Paraguai.

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