Nova tensão entre EUA e Turquia: quem tem mais cartas na manga?

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O conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, partiu da Turquia sem ter se encontrado com o presidente turco Recep Tayyip Erdogan depois de tê-lo enfurecido com a exigência de garantir a proteção dos combatentes curdos.

No domingo (6), Bolton declarou que as tropas norte-americanas permanecerão na Síria até que a Turquia garanta a segurança das milícias curdas apoiadas pelos EUA. A Sputnik Internacional discutiu esse assunto com o professor Alpaslan Ozerdem da Universidade de Coventry (Grã-Bretanha).

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O analista observa que um grande número de tropas turcas já está posicionado na fronteira da Turquia para a condução de operações militares no território sírio. 

"Mas ainda não está claro a escala desta intervenção e como isso acontecerá. Tudo depende do que os Estados Unidos decidirem fazer com as YPG [Unidades de Proteção Popular curdas]. Por exemplo, se os EUA decidirão desarmá-las ou não", disse.

Segundo Ozerdem, uma outra questão é o que acontecerá com o território liberado pelos EUA e pelas YPG: a Turquia não quer que o território no norte da Síria seja entregue às forças do presidente sírio Bashar Assad. 

O professor acredita que os EUA realmente pretendem retirar as tropas do território sírio.

"Em relação ao que a Turquia ganhará com isso, tal dependerá do que os Estados Unidos decidirem fazer com as YPG em termos de seu desarmamento; que parte do território do norte da Síria ficará sob controle da Turquia; e se as YPG permanecerão a oeste do rio Eufrates ou irão para o leste", enfatiza Ozerdem, acrescentando que essa é uma questão tática, mas provavelmente a Turquia tirará vantagem em qualquer um dos casos, a menos que suas relações com a Rússia se deteriorem. 

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Em suas declarações, o líder turco mencionou repetidamente a necessidade de criar uma nova força estabilizadora na Síria. Em opinião do analista, será muito difícil viabilizar essa ideia, especialmente se esta força for formada a partir dos grupos militares na Síria. 

"Erdogan diz que, no contexto do conflito armado sírio, esses grupos não são terroristas, mas será muito difícil determinar quem é terrorista e quem não é, uma vez que a Turquia considera terroristas até as YPG", explicou.

Segundo ele, a comunidade internacional poderia pensar em implantar uma força multinacional. Ao mesmo tempo, a Turquia não vê com bons olhos a presença de tais contingentes militares ao longo de suas fronteiras. A ideia de criar uma força estabilizadora é bastante atraente, mas a questão principal é saber como ela será formada, conclui o analista.

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