'Planos americanos colapsam como castelo de cartas': EUA e sua retirada da Síria

© AFP 2022 / Delil SouleimanSoldados norte-americanos na Síria
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O presidente dos EUA Donald Trump anunciou a retirada das tropas estadunidenses da Síria. Analistas explicam quando isso se tornará efetivo e se é possível falar de uma retirada definitiva das tropas norte-americanas da Síria.

Oytun Orhan, cientista político e especialista do Centro de Estudos Estratégicos do Oriente Médio (ORSAM), acredita que o contingente militar estadunidense realmente deixará o território sírio. Ele sublinhou que, após o retorno de 2.000 militares norte-americanos para seu país, os EUA deixarão de estar presentes fisicamente na Síria.

"Não duvido que a decisão [de Trump] será executada. Desta vez, a declaração da Administração estadunidense é completamente diferente das anteriores. Não acredito que Washington recue agora nesta questão depois que foram publicadas as datas concretas da saída", explicou Orhan à Sputnik Turquia.

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Embora o Pentágono não esteja contente com a decisão de Trump, trata-se de uma decisão política tomada pela Casa Branca, por isso os militares são obrigados a cumpri-la, explicou o analista. Segundo Orhan, Trump não tomou essa decisão espontaneamente. Desde o primeiro momento que Trump queria retirar as tropas da Síria e agora considerou que há as condições necessárias para dar esse passo.

De acordo com o analista político Ceyhun Bozkurt, para entender as razões da decisão dos EUA é necessário levar em conta tais fatores como o sucesso do processo de negociação em Astana e o intenso desenvolvimento das relações turco-russas.

"Quando o processo de negociação começou em Astana, todos os planos americanos colapsaram como um castelo de cartas", afirmou Bozkurt.

A presença dos EUA na Síria não só inquietava os países da região, incluindo os garantes do processo de negociações em Astana, mas também não tinha o apoio esperado por Washington por parte dos restantes países ocidentais. Isso foi demonstrado pelo acordo alcançado entre a Alemanha, a França, a Rússia e a Turquia, que estabelecia medidas destinadas a acalmar a crise política síria, explicou o analista.

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O vice-presidente do partido turco Vatan (Pátria) e contra-almirante da Marinha aposentado, Soner Polat, disse à Sputnik Turquia que Ancara deveria começar a operar nos territórios a leste do rio Eufrates, agora que "os EUA têm falta de coordenação entre sua elite política".

Quais serão as consequências da retirada dos militares dos EUA da Síria para as forças das Unidades de Proteção Popular curdas (YPG) enquanto o exército turco se prepara para uma operação a leste do rio Eufrates?

O jornalista Musa Ozugurlu, que trabalha na Síria desde 2007, revelou à Sputnik que o destino das YPG depende diretamente dos acordos firmados entre as autoridades sírias, a Rússia, a Turquia e o Irã. 

"A Síria não permitirá que os curdos criem uma autonomia ou uma federação política", disse ele. Os EUA impedem há muito qualquer acordo entre os curdos e Damasco. Como resultado, os curdos – que confiavam nos Estados Unidos — rejeitaram todas as propostas das autoridades sírias. 

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"Se os curdos aceitarem dialogar com Damasco, o governo sírio pode evitar a operação turca. Ao mesmo tempo, a Turquia pode se antecipar e iniciar sua operação antes de ser alcançado um acordo entre os curdos e Damasco, o que poderia levar à confrontação nas relações sírio-turcas. […] É óbvio que a retirada das tropas americanas da Síria, se realmente ocorrer, será um duro golpe para as forças curdas", concluiu ele.

Na quarta-feira (19), Donald Trump declarou que os Estados Unidos derrotaram o Daesh (grupo terrorista proibido na Rússia) na Síria, acrescentando que o grupo terrorista era a única razão pela qual as tropas dos EUA estavam combatendo no país do Oriente Médio durante a sua presidência.

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