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Analistas norte-americanas apontam objetivos de nova doutrina nuclear da Rússia

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Forças armadas da Rússia (imagem referencial) - Sputnik Brasil
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A ideia de elaborar uma nova doutrina da Rússia na área da dissuasão nuclear visa impedir conflitos e o uso de armas nucleares, além de enviar um sinal a potenciais adversários, segundo especialistas norte-americanas entrevistadas pela Sputnik.

Na quarta-feira (21), o Conselho da Federação (câmara alta do parlamento russo) sugeriu ao Conselho de Segurança da Rússia preparar uma nova versão da política da dissuasão nuclear da Rússia, documento que define as condições de uso de armas nucleares, assim como "definir uma resposta de retaliação no caso de uso de armas hipersônicas e outros tipos de armas estratégicas não nucleares por adversários".

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Olga Oliker, diretora de programas da Rússia e da Eurásia do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais em Washington, acredita que, em certa medida, a iniciativa de elaborar uma nova versão da doutrina pode estar ligada ao desejo de esclarecer as declarações recentes do presidente russo Vladimir Putin. 

Em outubro, no âmbito do Clube Valdai de Discussões Internacionais, Putin frisou que na doutrina da Rússia sobre o uso de armas nucleares não existe o chamado "ataque preventivo", e que esse tipo de armas apenas pode ser usado no caso de um ataque retaliatório. Ao mesmo tempo, ele enfatizou que "o agressor deve saber que a resposta é inevitável e será destrutiva". 

"A base de tudo isso é a dissuasão: ter um plano seguro de uso de armas nucleares sob certas condições não significa que a Rússia pretenda usá-las, mas que envia um sinal para os oponentes e potenciais adversários de que certas ações de sua parte levarão a Rússia a usar [essas armas]. O objetivo é que essas ações não sejam empreendidas, que o inimigo seja contido e que a Rússia não tenha que reagir [com a ajuda de armas nucleares]", opina Oliker. 

Segundo ela, uma parte importante do envio de "sinais de dissuasão" é a notificação dos adversários sobre as possíveis circunstâncias do uso de armas nucleares. 

Ao mesmo tempo, Oliker não se compromete a prever o que exatamente ficará estabelecido no novo documento, se o mesmo for elaborado. 

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Kristin Ven Bruusgaard, pesquisadora do Centro para a Segurança e Cooperação Internacional da Universidade de Stanford, também dá ênfase às condições de uso de armas nucleares pela Rússia que podem ser indicadas no novo documento. Ela está confiante de que isso pode ser de grande importância nas questões de dissuasão. 

Segundo ela, a proposta é muito interessante do ponto de vista de especificar as condições sob as quais a Rússia considerará a possibilidade de usar armas nucleares. 

Em sua opinião, as atuais disposições da doutrina militar já são "bem claras nesse sentido", mas é possível que alguém esteja interessado em esclarecer melhor as condições.

"O debate no Ocidente e a confusão sobre a estratégia nuclear russa também podem ter estimulado as discussões no Conselho da Federação sobre a necessidade de esclarecer a estratégia", concluiu Bruusgaard.

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