Inverno nos EUA pode levar o país a importar gás liquefeito da Rússia?

© Sputnik / Mikhail Voskresensky / Abrir o banco de imagensInstalação de Gás Natural Liquefeito (GNL) em Yamal, na Rússia
Instalação de Gás Natural Liquefeito (GNL) em Yamal, na Rússia - Sputnik Brasil
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As baixas de temperaturas no território norte-americano e as subidas bruscas dos preços do gás em várias regiões do país bem podem obrigar Washington a comprar gás natural liquefeito da Rússia, opinou o analista do Centro Energético da Escola de Administração Skolkovo de Moscou, Aleksandr Sobko, em uma conversa com a Sputnik.

Na passada quinta-feira (15), a representante oficial da chancelaria russa Maria Zakharova comunicou que para os EUA já haviam sido enviados três navios-tanque com gás liquefeito russo. Mais cedo, se informava sobre apenas dois possíveis suprimentos desse tipo, tendo ambos sido efetuados na época de inverno.

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"Em grande parte estamos assistindo à repetição dos eventos do ano passado. A baixa de temperatura abrupta nos EUA e o aumento rápido dos preços internos do gás — de US$ 3,2 para US$ 4,7 (quase R$ 12 e R$ 17,5, respectivamente) por um milhão de unidades térmicas britânicas", observou Sobko, acrescentando que, apesar do crescimento significativo dos preços, isso ainda não é o suficiente para efetuar exportações vantajosas aos EUA.

Em algumas regiões, por exemplo na Nova Inglaterra, os preços subiram ainda mais por causa das restrições da infraestrutura, ou seja, até US$ 10,5, isto é, quase R$ 40 por um milhão de unidades térmicas britânicas.

Entretanto, mesmo este preço muito elevado para o mercado interno estadunidense é igual ao proposto nos mercados spot asiáticos, onde o preço costuma sempre ser maior ao europeu ou estadunidense.

"Ao mesmo tempo, as despesas com o transporte desde a Europa até o norte dos EUA são duas vezes menores que transportar para Ásia-Pacífico. Claro que nessas condições é mais vantajoso vender o gás liquefeito para os EUA", acrescenta o especialista.

Além disso, assinala o interlocutor da Sputnik, de fato seria mais vantajoso importar para Boston o próprio gás americano, contudo, a lei nacional sobre cabotagem no país proíbe que o transporte interno seja efetuado por navios construídos fora dos EUA, enquanto os navios transportadores de GNL são construídos na Coreia do Sul.

"Isto faz com que o país seja obrigado a importar o gás liquefeito estrangeiro para cobrir as subidas sazonais nas áreas costeiras, e o gás russo é uma boa escolha para esse papel pelas razões citadas acima. A frequência dessas entregas será definida pela frequência das vagas de frio nos EUA e, consequentemente, pelos aumentos dos preços regionais do gás nos EUA", resumiu.

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