Rússia volta a ser 'templo' de estudos militares para alunos de todo o mundo

© SputnikAcademia Militar Espacial Mozhaisky, em São Petersburgo (foto de arquivo)
Academia Militar Espacial Mozhaisky, em São Petersburgo (foto de arquivo) - Sputnik Brasil
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A cooperação técnico-militar russa com países estrangeiros não se limita apenas a suprimentos de armas – a formação de especialistas de outros países em instituições de ensino do Ministério da Defesa do país também é um dos pontos-chave.

Assim, a Academia Militar Espacial Mozhaisky, localizada na cidade de São Petersburgo, é um dos "templos" de ensino militar mais prestigiados, criada ainda na época de Pedro, o Grande, em 1712. O estabelecimento alberga não só centenas de jovens russos, mas também de muitas outras nacionalidades — da Ásia, América Latina e África, contou à Sputnik Vietnã o coronel Vladimir Khomich, diretor da Faculdade Especial da Academia.

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"Após a criação da faculdade, em outubro de 1945, os mongóis foram os primeiros estrangeiros a estudar ao lado dos [alunos] soviéticos […] No momento do colapso da URSS, em 1991, entre os estudantes havia cidadãos de uma trintena de países estrangeiros. Desde então, especialistas militares de 40 estados, inclusive de países-membros da Comunidade dos Estados Independentes, foram formados na Academia Militar Espacial Mozhaisky", disse o coronel.

Hoje em dia, revelou ele, o número de alunos estrangeiros quadriplicou apenas nos últimos seis anos.

"Os cubanos foram os primeiros alunos da América Latina […] Em 1985, aceitamos quatro nicaraguenses que receberam seus diplomas justamente no momento do colapso da URSS. Em 2012, acolhemos um novo grupo da Nicarágua, nomeadamente seis oficiais para dois anos e meio [ou seja, metade dos estudos] e quatro alunos para um curso completo, bem como peruanos que receberão seus diplomas em 2019", informou o militar.

Atualmente, a Academia Militar Espacial Mozhaisky diz estar considerando a admissão de alunos venezuelanos, por exemplo.

De acordo com o coronel, um interesse tão alto pelos estudos militares na Rússia é motivado por uma vasta gama de especializações disponíveis, bem como pelo seu caráter raro.

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A Sputnik também falou com o angolano António Júlio e com o vietnamita Phan Cong Hoang, uns dos melhores estudantes do 5º ano de estudos da Faculdade Especial e que logo se tornarão oficiais cartógrafos-topógrafos.

"Vou ser o primeiro especialista em geodesia em Angola, e digo muito obrigado por terem bons professores e bons comandantes", confessou o aluno angolano à Sputnik, assinalando ainda a dificuldade do processo de aprendizagem do idioma russo que, no entanto, era algo indispensável para frequentar o curso.

"É uma honra para mim estudar na Faculdade Especial da Academia Militar Espacial Mozhaisky e estou orgulhoso disso. O nível de formação aqui é muito alto. Em geral, existem muito poucos países onde se formam cartógrafos-topógrafos militares de qualidade. Eu vou fazer todo o possível para completar bem os meus estudos e depois servir dignamente ao meu país", falou Phan Cong Hoang.

O aluno acrescentou também que ao sair da Academia ele já estará bem familiarizado com numerosos armamentos modernos de produção russa.

"Nosso exército já dispõe de alguns, especialmente caças Su-30, sistemas de defesa antiaérea S-300 e submarinos do projeto 636. O Vietnã também encomendou tanques russos T-90S. Desejaríamos que no futuro o Vietnã possa adquirir aviões de combate ultramodernos Su-35 e sistemas de defesa antiaérea S-400", explicou.

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