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Ameaça escondida: como OTAN ainda está matando sérvios

© AP Photo / Hidajet delicMunições com urânio empobrecido que foram usadas durante bombardeios da OTAN na Iugoslávia nos anos 90, imagem referencial
Munições com urânio empobrecido que foram usadas durante bombardeios da OTAN na Iugoslávia nos anos 90, imagem referencial - Sputnik Brasil
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Na Sérvia, depois dos bombardeios de 1999, a taxa de incidência de vários tipos de câncer somente cresceu, sendo especialmente evidente nas regiões onde a aviação da OTAN usou bombas de urânio empobrecido.

Trata-se de vinte anos de descaso institucional em lidar com o aumento de casos de câncer, mas no início do segundo semestre de ano foi criada uma comissão especial, que pode vir a provar que os sérvios sofrem de câncer cerebral, doenças dermatológicas inexplicáveis e tumores malignos que não surgiram por acaso.

"Em Vranje, das 40 pessoas que tiveram contato direto com o solo contaminado pelo urânio, 10 já morreram e a maioria das mortes foi causada por tumores malignos. Muitas pessoas, que estiveram nas zonas infectadas, têm problemas de pele, tais como eritema e erupções ulcerosas de etiologia desconhecida", diz chefe da Comissão Investigativa dos Bombardeios da OTAN, Darko Laketic, à Sputnik Sérvia.

Ele acrescenta que na aldeia de Borovac, atingida por ataques aéreos da OTAN com uso de bombas de urânio empobrecido, três dos 300 habitantes, ou seja, 1% da população, sofrem de câncer cerebral. De acordo com Darko Laketic, o objetivo principal de hoje é analisar relação causa-efeito e classificar os relatórios médicos para "prevenção, detecção e tratamento do câncer nos estádios iniciais nas regiões necessárias".

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Na lista dos 185 países, a Sérvia ocupa a 18ª posição com 307,9 tumores malignos detectados em 100.000 habitantes. Em 1999, antes dos bombardeios da OTAN na Sérvia, de 9.000 a 12.000 pessoas morriam de câncer por ano, então, segundo informação de 2014, o número de mortes dobrou para 22.000, e o número de pacientes com câncer recém-diagnosticado atingiu 40.000.

Alguns cientistas acreditam que esta situação é atribuída ao uso de urânio empobrecido pela OTAN e apontam para a prevalência de leucemia e linfoma na Sérvia, tipos de tumores cancerígenos mais sensíveis à radiação ionizante. Outros especialistas notam não haver provas de uma relação entre o aumento de incidências e o urânio empobrecido, visto que a quantidade de casos de câncer está aumento por todo o país, e o urânio empobrecido possui um alcance limitado. O primeiro relatório da comissão sérvia dedicado às consequências de bombardeios da OTAN será publicado em 2020.

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