Analistas sobre sanções americanas contra Caracas: 'país de fato está à beira do calote'

© REUTERS / Ueslei MarcelinoUma funcionária da caixa está contando bolívares, moeda nacional venezuelana, em um restaurante na capital
Uma funcionária da caixa está contando bolívares, moeda nacional venezuelana, em um restaurante na capital - Sputnik Brasil
Nos siga noTelegram
As novas sanções dos EUA sobre as operações com ouro da Venezuela causarão um forte impacto na economia do país latino-americano, afirmam analistas, prevendo a possível reação de Caracas.

No 1º de novembro, o líder estadunidense Donald Trump decretou novas sanções visando bloquear as operações da Venezuela com seu ouro. Segundo o documento, a administração dos EUA pretende impedir que as autoridades do país latino-americano "roubem as riquezas da Venezuela para seus objetivos corruptos".

John Bolton, ex-embaixador dos EUA na ONU, chega a um encontro com Donald Trump em 2 de dezembro de 2016 em Nova York - Sputnik Brasil
EUA impõem novas sanções à Venezuela e indicam que Cuba e Nicarágua são as próximas
Washington também proibiu aos seus cidadãos comprarem ouro venezuelano e destacou que medidas semelhantes poderão ser aplicadas contra qualquer outro setor da economia da Venezuela, dependendo da decisão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos junto com o Departamento de Estado.

Para os analistas, as sanções contra a exportação de ouro venezuelano pode dar um forte golpe nas finanças da Venezuela, já que o governo de Nicolás Maduro tem usado o metal precioso como alternativa ao petróleo, cuja produção está caindo.

"[Ao impor sanções] Trump está criando condições para pressionar as empresas e entidades que dão apoio técnico e financeiro à Venezuela. A possível solução do problema será exportar ouro ao mercado paralelo, mas será difícil realizá-lo", acredita o principal analista do banco russo Promsvyazbanc, Roman Antonov.

No momento, o único motor do PIB do país é o setor do petróleo, mas este está em baixa devido à falta de financiamento da infraestrutura, assim como às dívidas públicas de bilhões de dólares.
Assim, as restrições americanas afetarão seriamente a economia da Venezuela, que está precisando de cédulas.

"O país de fato está à beira do calote e as possibilidades de poder servir a dívida após a introdução das sanções americanas sobre as operações com ouro são mínimas", frisa outro analista bancário, Artem Kopylov.

Imigrantes na fronteira entre Colômbia e Venezuela. - Sputnik Brasil
Banco Mundial: êxodo da Venezuela custará à Colômbia até US$ 1 bilhão
A Venezuela tem visto a venda de ouro como meio de se defender das sanções e da crise econômica. Agora, as ações dos Estados Unidos podem impedir a estabilização da situação no país, acrescenta Antonov. De acordo com os dados do Conselho Mundial de Ouro (WGC) no terceiro trimestre de 2018, o Banco Central da Venezuela foi um dos que compraram mais ouro (depois da Rússia, Índia e Turquia).

Ao mesmo tempo, a analista de mercados de commodities Oksana lukicheva opina que, com as novas sanções, os EUA tentam impedir os pagamentos em ouro por produtos e serviços, pois os pagamentos em dólares já são proibidos.

As reservas de ouro venezuelano constituíam em setembro de 2018 161,2 toneladas, diz o analista citando dados do FMI, indicando que quase todo o metal precioso permanece no território do país.

Feed de notícias
0
Para participar da discussão
inicie sessão ou cadastre-se
loader
Bate-papos
Заголовок открываемого материала