Vírus geneticamente modificados poderão se tornar arma de próxima geração?

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Centro Antidoping: colheita de amostras de sangue para análise (foto de arqvuio) - Sputnik Brasil
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A agência DARPA dos EUA está realizando um projeto que irá usar insetos para infectar plantações com vírus geneticamente modificados a fim de torná-las mais resistentes a ameaças emergentes. Porém, muitas tecnologias, mesmo as desenvolvidas para fins civis, podem um dia ser usadas com fins militares, adverte o colunista do RT Tomasz Pierscionek.

O projeto chamado Insect Allies (Aliados de Insetos) está sendo desenvolvido pela Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (DARPA, na sigla em inglês), administrada pelo Departamento de Defesa americano. Por enquanto, não está claro como será possível controlar as rotas de voo dos insetos para estes infetarem determinadas plantas.

Segundo um comunicado da organização, o programa não tem intenções sinistras, tendo por objetivo "assegurar novas capacidades para proteger os EUA, especialmente a capacidade de responder rapidamente às ameaças à oferta de alimentos", diz o artigo do RT.

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Vale destacar que o anúncio da DARPA veio após pesquisadores franceses e alemães terem alertado que, em caso de ser bem-sucedida, "a técnica poderia ser usada por agentes maliciosos para ajudar a espalhar doenças em quase todas as espécies e devastar colheitas", violando a Convenção Internacional sobre Armas Biológicas.

Se existirem meios de transmitir vírus para estes criarem mutações positivas nas plantas, é possível a variante oposta, adverte Pierscionek: usar insetos para infectarem com vírus que destruam plantações, colheitas e afetem o ecossistema.

Outro programa financiado pela DARPA, sublinha o colunista, prevê libertar mosquitos geneticamente modificados na área das ilhas Florida Keys para que transmitam a seus parentes portadores da malária vírus esterilizantes. Além dos efeitos desconhecidos de tal experimento sobre o ecossistema, os conhecimentos obtidos em tal pesquisa representam ameaça por poderem um dia ser usados com fim de infectar uma população com agentes biológicos, acredita o autor do artigo.

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A tecnologia de modificação de genes também permite "ressuscitar" vírus já erradicados. No ano passado, cientistas canadenses conseguiram sintetizar por apenas 100.000 dólares o vírus conhecido como horsepox, que havia sido considerado extinto. O avanço científico causou preocupações de que a mesma técnica possa ser empregada para "ressuscitar" outros membros da família poxvírus, como, por exemplo, o extinto e perigoso vírus da varíola, que matou 300 milhões de pessoas no século passado.

Neste contexto, Pierscionek lembra outro fato curioso: no ano passado a Força Aérea dos EUA tentou adquirir amostras de DNA de habitantes da Rússia. Embora não haja evidência de que a medida tenha tido intenções malignas, a notícia provocou muitas preocupações, inclusivé nos círculos mais altos do governo russo.

Concluindo, o colunista volta à sua ideia principal, destacando que resultados obtidos durante projetos civis podem ser alterados para fins militares. O governo dos Estados Unidos pode não autorizar oficialmente a criação de armas biológicas, mas é incapaz de monitorar cada estrutura de seu gigante aparelho militar e de inteligência e as ações do chamado "Estado profundo", finaliza.

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