Mídia: Ucrânia prepara crianças para a guerra em campos de férias ultranacionalistas

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A jornalista Ethel Bonet do jornal espanhol El Confidencial visitou os campos de treinamento militar para adolescentes na Ucrânia.

A jornalista espanhola visitou um campo de férias que afirma dar preparação militar e educação patriótica a crianças e jovens. Ele se localiza no antigo acampamento soviético Líder, nos arredores de Kiev, não tem site oficial, mas convida crianças e adolescentes de 7 a 16 anos através do Facebook ou de pessoas conhecidas.

O campo de férias é capaz de alojar cerca de 200 adolescentes em turnos de 20 dias.  O pessoal usa uniformes militares e treina os meninos em natação, atletismo, tiro ao alvo, montagem e desmontagem do rifle automático AK-47 e outros exigentes exercícios físicos.

Tudo isso ocorre, relata a jornalista, ao som de hinos nacionalistas, música no estilo hardcore ou punk rock ucraniano. Os adolescentes treinam também marcha militar, cantando slogans nacionalistas. Ao início da noite, acontecem diferentes apresentações com canções e bandeiras nacionalistas, tochas acesas, adolescentes vestidos de fardas militares e balaclavas, ao mesmo tempo que levantam o braço com a mão aberta para cima, comunicou El Confidencial.

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O diretor do campo de férias, Ivan Granatkin, é um herói do Euromaidan e estava nas primeiras fileiras dos manifestantes em 2014. Ele tem uma trança e parte da cabeça escanhoada e é coberto de tatuagens dos pés à cabeça.

"Estamos dando educação patriótica à juventude nas condições da guerra no Leste da Ucrânia. É muito importante educar as crianças para que elas se tornem patriotas e possam defender o seu país em caso de necessidade", contou Ivan Granatkin.

Um outro funcionário do campo comentou à jornalista que eles estão preparando os meninos para resistência à Rússia. Segundo ele, tendo tal agressor ao lado, a Ucrânia se virá obrigada a entrar em guerra mais cedo ou mais tarde, acrescentando que sonha ver essas crianças e adolescentes se tornarem soldados.

Já há quatro anos que milhares de crianças e adolescentes ucranianos passam o verão nestes campos de preparação militar, onde não existem as habituais normas educativas e pedagógicas, escreve Ethel Bonet no seu artigo.

"Mesmo que o conflito na Ucrânia seja resolvido, o perigo permanecerá, visto que as jovens gerações são formadas em um clima de ódio em relação a quem está no outro lado. A preparação militar reforçada de crianças e adolescentes representa uma bomba-relógio para o futuro ucraniano", escreve a jornalista.

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Em 2014, as autoridades ucranianas iniciaram uma operação militar contra as repúblicas populares de Donetsk e de Lugansk, que declararam sua independência depois do golpe do Estado que ocorreu na Ucrânia em 2014. Segundo as últimas estimativas da ONU, as ações militares em Donbass resultaram na morte de mais de 10 mil pessoas.

Em fevereiro de 2015, as partes em conflito assinaram os acordos de paz de Minsk para acabar com os combates na região, mas a situação permaneceu tensa, com as duas partes acusando-se mutuamente de violações do cessar-fogo.

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