Por que 30 de outubro é um dia importantíssimo para democracia na Argentina?

Nos siga noTelegram
No dia 30 de outubro de 1983, a Argentina elegeu o presidente Raúl Alfonsín e recuperou sua democracia.

Naquela data de 1983, o povo argentino foi às urnas depois de sete anos de uma ditadura sangrenta que matou milhares de pessoas, escreve Santiago Mayor em um artigo publicado no RT.

Presidente dos EUA, Donald Trump, fala do Jardim das Rosas da Casa Branca em Washington, em 1º de outubro de 2018 - Sputnik Brasil
Trump destaca 'excelente conversa' com Bolsonaro e fala da cooperação entre EUA e Brasil
A maioria das vítimas, conforme estabelecido pelo relatório da Comissão Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas (CONADEP), intitulado "Nunca Mais", correspondia a menores de 30 anos e, sobretudo, líderes sindicais e ativistas. 

O autor do artigo lembra que a campanha eleitoral de Alfonsín foi focada na defesa da Constituição Nacional e se destacou com slogan principal: "Com a democracia se come, se educa e se cura." Assim, o candidato do partido União Cívica Radical (UCR, na sigla em espanhol) ganhou com 51% dos votos. 

Mayor observa que o governo de Alfonsín gerou muitas expectativas em uma sociedade que, além da repressão, havia sofrido um plano econômico neoliberal que desmantelou o aparelho produtivo. De acordo com o portal Chequeado.com, em 1980, os índices de pobreza giravam em torno de 8% ante 3,8% em 1974. A falta de dados oficiais na época torna difícil a leitura de um número exato. 

Presidente de Venezuela, Nicolás Maduro, durante discurso sobre petro - Sputnik Brasil
Iniciada venda de petros na Venezuela: como é possível adquirir a criptomoeda?
No entanto, apesar de não ter revertido essa tendência, o mandato da UCR continuou. No final de 1989, já com estatísticas nacionais, a população abaixo da linha de pobreza era de 38,3% em meio à hiperinflação galopante, destaca o autor. 

Segundo Mayor, o forte impulso para julgar os responsáveis pelo genocídio durante a ditadura foi ofuscado pelas leis de Ponto Final de 1986 e Obediência Devida de 1987. Essas regulamentações limitavam a capacidade judicial de continuar o processo de memória, verdade e justiça, garantindo a impunidade dos militares e de seus cúmplices civis. 

Posteriormente, o governo de Carlos Menem, durante a década de 1990, nada mais fez do que aprofundar o modelo econômico herdado da ditadura. Isso desencadeou a trágica crise de 2001, a maior que a Argentina sofreu até hoje, conclui o autor.

Feed de notícias
0
Para participar da discussão
inicie sessão ou cadastre-se
loader
Bate-papos
Заголовок открываемого материала