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Bolsonaro terá governabilidade?

© REUTERS / Ricardo Moraes/PoolJair Bolsonaro coloca seu voto no segundo turno das presidenciais no Brasil, em 28 de outubro de 2018
Jair Bolsonaro coloca seu voto no segundo turno das presidenciais no Brasil, em 28 de outubro de 2018 - Sputnik Brasil
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Vencedor da eleição presidencial em segundo turno, Jair Bolsonaro encontra um país em grave crise econômica e dividido após uma campanha eleitoral polarizada e violenta. A Sputnik Brasil conversou com o cientista político Alberto Carlos Almeida sobre as condições de governabilidade do novo presidente.

Com o radicalismo que marcou as eleições deste ano, o período entre o segundo turno e a posse promete ser muito mais que apenas um período de transição.

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O diretor do Instituto Brasilis, cientista político e sociólogo Alberto Carlos Almeida, em entrevista à Sputnik Brasil, observou que a sociedade brasileira estão se caminhando para um cenário de uma divisão maior. 

"As eleições no Brasil ficaram mais estreitas. Nós temos a eleição passada que em 2014 foi aquela com a menor margem, essa é a segunda menor margem. Talvez isso venha a ser o nosso normal. Então temos uma sociedade mais dividida com eleições mais equilibradas, a não ser em momentos muito específicos", declarou. 

"No início, o presidente 'pode tudo', se ele souber que caminho que ele quer trilhar, que proposições que ele gostaria de apresentar, o custo de negociação é menor, o Congresso é disposta, existe uma 'lua de mel'. Mas depois de algum tempo, esse tempo é incerto, essa lua de mel vai embora, e as negociações se tornam mais complicadas", observou. 

Segundo ele, é importante observar a partir de hoje os seus planos de Bolsonaro para a escolha dos ministérios. 

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"Tradicionalmente, no Brasil, o ministério tem que guardar certa proporcionalidade de força dos partidos no parlamento. Então se um partido tem 10% das cadeiras, em geral ele tem que ter 10% dos ministérios, ou pelo menos dos recursos discricionários na alçada do Poder Executivo. Se isso não for feito, ele já criou um problema pra si próprio, que foi a promessa de redução de ministérios. Então a diminuição de ministérios dificulta a sua negociação com o Congresso Nacional", argumentou o especialista. 

Alberto Carlos Almeida acrescentou que se o Bolsonaro conferir muitos ministérios a militares, ele diminui novamente a sua margem de negociação com a Câmara e o Senado. 

"Os presidentes que menos respeitaram essa regra de estabilidade ao governo foram Collor e Dilma, e os que mais respeitaram foram Fernando Henrique e Lula", concluiu.  

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