Análise: EUA preferem conflito ao invés de acordos para recuperar sua economia

© AP Photo / Alex BrandonPresidente Donald Trump
Presidente Donald Trump - Sputnik Brasil
Nos siga noTelegram
Estados Unidos estão deixando de ser uma potência internacional, enquanto que países como Rússia, China e Índia estão assumindo esse papel, o que vem incomodando EUA.

O professor de direito internacional público e de relações internacionais da Universidade Autônoma de Madri, Augusto Zamora, escreveu um novo livro chamado de "Réquiem polifônico pelo Ocidente", onde diagnostica a situação.

Konstantin Kosachev, presidente da Comissão de Assuntos Internacionais do Conselho da Federação (câmara alta do parlamento russo) - Sputnik Brasil
EUA querem fim de acordo nuclear para pôr armas na fronteira da Rússia, diz senador russo
Em entrevista à Sputnik Mundo, Augusto Zamora indicou que os EUA "representavam praticamente 50% do PIB mundial" décadas após a Segunda Guerra Mundial, além disso, "foram o único país a não ser afetado pela guerra, ao contrário, fez negócios milionários graças a ela".

Porém, "atualmente, os EUA representam apenas 18%. A China, já é a primeira potência comercial do mundo. A Rússia já ultrapassou os EUA como o primeiro exportador de trigo e logo se tornará o grande país exportador de grãos", afirma Zamora, que ainda menciona que a "queda" norte-americana se deve também à enorme dívida pública que o país possui, de aproximadamente 104% do PIB.

Enquanto isso, Moscou, Pequim e Nova Deli "estão remodelando todo o mapa econômico, comercial e geoestratégico da Eurásia", desenvolvendo "corredores comerciais" como a "nova Rota da Seda da China" e a "nova Rota ártica da Rússia" — que está sendo desenhada pelo maior país do mundo em conjunto com a Índia e o Irã. O que, segundo Zamora, "deixa completamente de fora" o Ocidente, que, por sua vez, não vai deixar "suas posições de maneira pacífica".

Um fato importante ressaltado por Zamora é que os "EUA não estão pensando em nenhum tipo de acordo, nenhum tipo de negociação. De fato, suas declarações apenas descrevem cenários de guerra. Todo o seu programa militar visa construir equipamentos militares capazes de derrotar a China e a Rússia".

Donald Trump pretende elevar para 350 o número de navios da Marinha norte-americana, assim como "elevar quase em um terço o potencial aéreo dos EUA".

Presidente dos EUA, Donald Trump, discursa durante uma sessão da Assembleia Geral, em Nova York, em 26 de setembro de 2018 - Sputnik Brasil
EUA deixam acordo nuclear com a Rússia pois sonham com mundo unipolar, diz fonte
Ressaltando que dessa maneira os "EUA estão projetando dois cenários de guerra para derrotar ao mesmo tempo a China e a Rússia. Outro cenário é o Pacífico em que os EUA enfrentariam a China", informa Zamora, destacando que "EUA sabem que não podem com Rússia e China ao mesmo tempo".

Nesse contexto, o especialista expressou profunda decepção pela atuação de uma UE "devorada" pelos EUA "em termos militares e geoestratégicos".

"Se o bloco comunitário [União Europeia] não se libertar dos EUA, não se constituirá em uma entidade independente e não reorganizará suas relações com Rússia e Eurásia, em caso de muito possivelmente haver conflito, a UE, e, consequentemente, o Ocidente, se quebrantarão e vão desaparecer praticamente do cenário internacional", concluiu.

Feed de notícias
0
Para participar da discussão
inicie sessão ou cadastre-se
loader
Bate-papos
Заголовок открываемого материала