Como 'iceberg de dívida oculta' ameaça economia da China

© AFP 2022 / WANG ZHAODistrito central de Pequim
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O aumento dos projetos de construção de infraestruturas dos governos locais da China exigiu um grande volume de empréstimos que agora pode não ser possível pagar, revelou um relatório da agência de classificação de risco Standard & Poor's.

Segundo a agência, o passivo acumulado dos governos regionais chineses seria entre 4,3 e 5,8 trilhões de dólares (R$ 16-21 trilhões).

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Devido à limitação de emissão de títulos de governos locais para financiar projetos que mantenham o crescimento, esses órgãos regionais recorreram a veículos de financiamento dos governos locais (LGFV), que alcançaram 60% do PIB no fim do ano passado e converteram o risco de cair em calote em uma possibilidade real, informou o jornal Financial Times.

À possibilidade perigosa se soma a desaceleração da economia chinesa e sua guerra comercial com os EUA. Pequim iniciou um processo de desalavancagem para cortar empréstimos e a possibilidade de contrair dívida a fim de financiar determinadas operações.

Em qualquer caso, a Standard & Poor's apontou que o valor exato da dívida é desconhecido, porque uma grande parte não é refletida nos balanços das administrações locais. Trata-se de "um iceberg com riscos de crédito titânicos".

Kevin Lai, economista-executivo da empresa Daiwa Capital Markets para Ásia, aponta que "durante anos pensávamos que era dívida do Estado, mas estávamos enganados", porque "é muito grande e o governo não pode resgatá-la sem imprimir muito dinheiro".

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