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Lula é nomeado presidente honorário de seção do Partido Trabalhista Britânico

© REUTERS / Francisco PronerLula é carregado pela multidão antes de fazer discurso em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo. Ex-presidente teve prisão decretada pelo juiz Sergio Moro e se entregou à Polícia Federal no final do dia.
Lula é carregado pela multidão antes de fazer discurso em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo. Ex-presidente teve prisão decretada pelo juiz Sergio Moro e se entregou à Polícia Federal no final do dia. - Sputnik Brasil
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O Partido Trabalhista do Reino Unido, agremiação da esquerda britânica com 118 anos de tradição, nomeou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como presidente honorário de sua seção de jovens, o Young Labour.

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Segundo a nota oficial do partido, Lula é fonte de inspiração para os trabalhistas britânicos e "foi preso porque simboliza dignidade e progresso para os trabalhadores, camponeses e expropriados do Brasil".

O partido diz que Lula é um preso político e que a prisão do ex-presidente é para tirá-lo das eleições.

"A principal acusação, baseada em delações premiadas de empresários acusados de corrupção, é que lhe foi oferecido um apartamento (no qual ele nunca passou um dia). A verdadeira razão para punir Lula é que nos próximos dias o Brasil terá uma eleição de profunda importância para o futuro do país", escreveram.

Desde 7 de abril, Lula cumpre pena de 12 anos e um mês de prisão, em Curitiba, imposta pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá (SP).

Leia a íntegra da nota oficial do Partido Trabalhista britânico:

"Eles podem matar uma, duas ou três rosas, mas nunca vão conseguir parar a Primavera."

Desde o início de abril, Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente do Brasil, cumpre uma condenação de 12 anos em confinamento solitário com acesso limitado ao mundo exterior. Ao longo do período que antecedeu sua prisão, ele enfrentou — e continua a enfrentar — um julgamento pela imprensa, como parte de uma campanha organizada de difamação dirigida pelas elites dominantes do Brasil contra o movimento trabalhista de Lula.

A sentença de Lula é extremamente desproporcional às frágeis acusações que lhe foram feitas. A principal acusação, baseada em delações premiadas de empresários acusados de corrupção, é que lhe foi oferecido um apartamento (no qual ele nunca passou um dia). A verdadeira razão para punir Lula é que nos próximos dias o Brasil terá uma eleição de profunda importância para o futuro do país.

Nesta eleição, o candidato preferido dos reacionários brasileiros é Jair Bolsonaro, um candidato de extrema-direita, que se apresenta como "anti-establishment". Bolsonaro, que admite abertamente simpatizar com a antiga ditadura militar do Brasil, promete continuar as políticas neoliberais do presidente Michel Temer, que esteve envolvido no golpe parlamentar contra a presidenta Dilma Rousseff em 2016.

Depois de atropelar a vontade democrática de 54 milhões de brasileiros, derrubando Rousseff, Temer colocou em prática sua política de austeridade: impôs um congelamento de 20 anos nos investimentos públicos e declarou claramente sua intenção de privatizar a empresa petrolífera brasileira, a Petrobras.

Paulo Guedes, o economista-guru de Bolsonaro, formado em Chicago, pretende continuar essa trajetória. Sua solução declarada para o "caos" predominante na economia brasileira é "privatizar tudo".

Todas as pesquisas de opinião mostravam que Lula era de longe o mais popular candidato em qualquer cenário. Como ex-trabalhador não-universitário, militante sindical e importante figura política no país, Lula teria representado a resistência do povo brasileiro ao horrível futuro oferecido pelo establishment político. Lula foi preso porque simboliza dignidade e progresso para os trabalhadores, camponeses e expropriados do Brasil.

É por isso que estamos fazendo dele o presidente honorário do Young Labour [a seção jovem do maior partido de esquerda no Reino Unido]. Aqui na Grã-Bretanha, o movimento trabalhista não ficará calado. Praticamente todos os nossos principais sindicatos se posicionaram firmemente em defesa de Lula e de nossas irmãs e irmãos no Partido dos Trabalhadores (PT).

O Young Labour espera que este pequeno ato simbólico de solidariedade se some à onda de apoio que o PT já conquistou em todo o movimento global de trabalhadores. Também esperamos que isso ajude a aumentar a pressão internacional sobre o governo brasileiro para libertar Lula. Nós estendemos nossa amizade a todas as forças progressistas no Brasil, e desejamos boa sorte a Fernando Haddad, que todos nós estamos firmemente esperando que conquiste a vitória nas eleições e comece a reverter o ataque neoliberal que o Brasil está enfrentando.

Nossa luta por um mundo socialista nunca é apenas sobre grandes homens ou indivíduos inspiradores. Mas seja Marcos Ana, na Espanha fascista; Nelson Mandela, no apartheid da África do Sul; ou Lula, no Brasil do século 21, nossa luta pela dignidade humana pode ser refletida neles. Lula é uma figura imponente do movimento trabalhador mundial e um ataque a ele é um ataque a todos os socialistas e democratas em todo o planeta. Ele deve ser libertado.


Venceremos! Lula Livre!


Por Marcus Barnett, em nome do Comitê Nacional Young Labour e do Escritório de Assuntos Internacionais Young Labour.

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