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'Crise brasileira está afetando mais a Argentina do que ao contrário', diz economista

© AP Photo / Eraldo PeresO presidente do Brasil, Michel Temer, fala com o seu homólogo argentino, Mauricio Macri, durante o encontro no Planalto em 7 de fevereiro de 2017
O presidente do Brasil, Michel Temer, fala com o seu homólogo argentino, Mauricio Macri, durante o encontro no Planalto em 7 de fevereiro de 2017 - Sputnik Brasil
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Em crise econômica neste ano, a Argentina já pediu empréstimo ao Fundo Monetário Internacional (FMI), está vendo sua moeda ser desvalorizada e enfrenta uma taxa de inflação esperada de mais de 211%. No entanto, os brasileiros podem ficar tranquilos, a economia brasileira afeta mais o país o vizinho do que é afetada por ele.

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A avaliação é de Luiz Carlos Prado, economista e professor do Instituto de Economia da UFRJ — Universidade Federal do Rio de Janeiro.

"A Argentina já vinha com inflação elevada com problemas nas suas contas externas. Um aspecto interessante do comércio exterior da argentino é que ele é muito dependente do Mercosul e, em especial,do Brasil, onde aproximadamente um terço das suas exportações se dirigem. Então a crise econômica do Brasil afetou muito a Argentina, reduziu as exportações da Argentina daquele que era o seu principal parceiro comercial", disse em entrevista à Sputnik Brasil.

No entanto, apesar de dizer que "a crise brasileira está afetando mais a Argentina do que ao contrário", Luiz Carlos Prado falou que o melhor para o Brasil é a economia da Argentina ser retomada.

"É claro que na medida que a situação da Argentina piora, isso dificulta também a situação do Brasil, não ajuda a situação brasileira. Uma retomada da situação argentina implicaria um aumento da situação do Brasil e melhoria para ambos os países", ponderou. 

Através de um panorama histórico, Luiz Carlos Prado explicou que a Argentina enfrentou muitas crises ao longo da história recente do país quando a nação foi governada por governos liberais. 

"A Argentina tem um histórico antigo de crises econômicas que, em geral, surgem em momentos onde governos com viés de liberal assumem o poder. Ao analisar as grandes crises que a Argentina teve, na década de 70 com o governo militar, depois no período Cavallo, outra experiência de liberalização, e agora recentemente com o Macri", afirmou.

O projeção da UFRJ aproveitou a entrevista para fazer previsões sobre como vai ficar a economia argentina daqui para frente.

"A inflação da Argentina deve ser em 40% este ano, a taxa de câmbio na Argentina, que vinha rapidamente piorando as condições, o peso argentino se desvalorizando muito rápido, deve dar  uma certa estabilizada agora. O cenário é mais plausível seria agora uma certa desaceleração da taxa de crescimento da inflação. A meta colocada pelo governo é muito ousada, eu não acredito não, mas que você possa ter alguma redução para a inflação do ano que vem eu acho plausível", completou.

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