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Piora do Brasil em ranking de percepção da corrupção não é algo ruim, diz especialista

© Tânia Rego/Agência BrasilPolícia Federal garante que investigações do núcleo da Lava Jato em Curitiba vão continuar
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O Brasil apresentou queda de 17 posições no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), o índice mais utilizado no mundo. O país passou a ocupar a 96ª colocação no ranking global, contra a posição de número 79 da pesquisa anterior.

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O índice brasileiro declinou três pontos, de 40 para 37 numa escala que vai de 0 a 100, em que zero significa alta percepção de corrupção e 100, elevada percepção de integridade.

No entanto, em entrevista à Sputnik Brasil, o cientista político do Instituto de Ciências Políticas da Universidade de Brasília (UnB), David Fleischer, disse que a piora no ranking não necessariamente é algo ruim para o país.

"A Lava Jato revelou muita corrupção e você poderia pensar que isso ajudaria o Brasil a subir na avaliação, mas por revelar grande quantidade fez o Brasil cair. Porque a população passou a ficar mais alerta e a ter mais percepção sobre a existência de corrupção", explicou.

O índice foi divulgado pela Transparência Internacional, principal organização dedicada à luta contra a corrupção no mundo. Hoje, o Brasil está empatado com a Colômbia, Indonésia, o Panamá, Peru, a Tailândia e Zâmbia, e fica atrás de países como o Timor Leste, Sri Lanka, Burkina Faso, Ruanda e Arábia Saudita. No tocante à posição relativa no ranking, apenas a Libéria e o Bahrein mostraram recuo maior que o do Brasil, de 32 e 33 posições, respectivamente.

Segundo David Fleischer, a piora no ranking se deve à percepção pela população brasileira de que o Brasil não foi capaz de fazer avançar medidas para atacar de maneira sistêmica esse problema.

"Uma legislação mais forte foi proposta pela Ordem dos Advogados do Brasil e pelo Ministério Público, mas o Congresso rechaçou e não aprovou. Isso é um indício de que o Brasil não está tratando de corrigir ou reprimir a corrupção", afirmou.

Apesar da população estar mais atenta, segundo o cientista político,  não significa que menos candidatos acusados de corrupção serão eleitos em 2018.

"Não vai ser fácil porque os partidos políticos estão despejando os recursos de campanha do fundo eleitoral justamente para tentar reeleger os corruptos, então eu não sei se os corruptos vão ser derrotados ou não", disse David Fleischer.

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