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Casualidade ou forças sobrenaturais? Quem criou nosso universo

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O nosso universo é adaptado de forma praticamente ideal para que nele surgisse o ser humano e outros seres inteligentes. Quem está por trás disso: forças supremas ou fatores ocasionais? Bernard Carr, astrônomo britânico e amigo do falecido Stephen Hawking, conta o que esta questão tem a ver com os chamados mundos paralelos.

Recentemente, o professor Carr deu uma palestra no Instituto de Física da Academia de Ciências da Rússia e falou sobre o surgimento dos buracos negros nos primeiros dias do universo e que papel desempenharam na sua evolução. Em entrevista à Sputnik, o cientista também explicou como chegou à conclusão de que os mundos paralelos existem e que o nosso universo é um deles.

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Carr acredita que, se nosso universo apareceu dentro de restos de outro universo e não de um espaço vazio, então seu "embrião" devia ter contido muitos buracos negros, que podem sobreviver ao Big Bang e permanecer no mundo até hoje.

"Estes buracos negros, de fato, devem ser os únicos objetos capazes de sobreviver ao fim de um universo. […] Caso eles existam, então desempenharam um papel importante na evolução do universo, servindo de […] uma espécie de DNA dos buracos negros supermaciços no centro das galáxias", disse o astrônomo.

Porém, admite, é difícil verificar esta teoria e muitos especialistas duvidam que isso seja possível.

Mas há outro fator que explica o surgimento da humanidade em um universo "adequado" para nós, acrescenta Carr. Hoje em dia, muitos cosmólogos acreditam que nosso universo possui certas características únicas, em particular, a proporção de matéria visível, escura e energia, que tornam possível a existência de estrelas, planetas e condições propícias para o surgimento da vida.

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Os seguidores desta teoria, conhecida como o princípio antrópico, acham que quaisquer mudanças nestas e noutras constantes físicas fazem com que o universo vire inabitável. Ao mesmo tempo, outras teorias modernas de cosmologia afirmam que o universo não precisa necessariamente de ter este conjunto de propriedades. Daí surge a pergunta — por que existimos e como se formou o nosso mundo?

O cientista britânico oferece duas respostas possíveis.

"Primeiro, as propriedades únicas do universo poderiam ter sido indicadas por forças sobrenaturais, o que eu, ao contrário de muitos colegas, não excluo por completo. Por outro lado, é possível que exista o chamado multiuniverso. Acredito nesta opção mais do que na existência de determinadas forças sobrenaturais", opinou Carr.

Bernard Carr, assim como outros cosmólogos que defendem a teoria das cordas, acredita que o nosso universo é apenas um de numerosos mundos paralelos, fazendo parte do multiuniverso. Estes "outros mundos" podem possuir as características mais diversas, o que livra os cientistas da necessidade de explicar as propriedades únicas de nosso universo.

"Acho que um dia vamos descobrir sem dúvida sinais de outras dimensões e de mundos paralelos, que apontam para a existência do multiuniverso", opina o astrônomo.

Chave do multiuniverso

A ideia de multiuniverso poderá ser verificada se os astrônomos calcularem quantos buracos negros surgiram no universo quando seus limites começaram a se estender rapidamente nos primeiros segundos após o Big Bang.

"O número de buracos negros primordiais não pode ser casual. Se o universo tivesse estes em excesso, não sobraria matéria para a formação de galáxias, estrelas e planetas. Se tivesse poucos, as propriedades da matéria escura seriam diferentes das indicadas pelos atuais estudos das galáxias relativamente jovens", explicou Carr.

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O britânico acredita que a humanidade já pode ter encontrado sinais dos buracos negros primordiais. Ele destaca que quase todas as explosões de ondas gravitacionais, descobertas pelos observatórios espaciais norte-americano LIGO e europeu VIRGO foram causadas por buracos negros extremamente grandes, cuja existência é difícil de explicar.

Outro possível sinal são as recém-descobertas explosões rápidas de rádio (FRB, na sigla em inglês) provenientes de cantos distantes do universo.

Se um dia os buracos negros primordiais forem encontrados, supõe o cientista, eles poderão abrir o caminho ao multiuniverso e ajudar a responder à principal pergunta da astronomia — como é que a gravitação funciona.

Apesar das críticas em relação à teoria das cordas e do multiuniverso, Bernard Carr não exclui a descoberta de mundos paralelos.

"Gastamos 100 anos para descobrir as ondas gravitacionais. É bem provável que precisemos do mesmo tempo para encontrarmos dimensões paralelas e confirmarmos a teoria das cordas. E os buracos negros primordiais serão a chave para esta descoberta", concluiu o cientista britânico.

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