Petróleo iraniano poderá ser fornecido para Coreia do Norte?

© AP Photo / Vahid SalemiTécnico de petróleo iraniano verifica as instalações do separador de óleo no campo petrolífero de Azadegan, perto de Ahvaz, Irã (foto de arquivo)
Técnico de petróleo iraniano verifica as instalações do separador de óleo no campo petrolífero de Azadegan, perto de Ahvaz, Irã (foto de arquivo) - Sputnik Brasil
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A visita do ministro das Relações Exteriores da Coreia do Norte, Lee Yonkho, ao Irã fortalecerá a cooperação entre os dois países em oposição às sanções econômicas dos EUA, dizem em entrevista à Sputnik especialistas sul-coreanos.

Durante a reunião de hoje entre os ministros, no dia simbólico da retomada das sanções anti-iranianas de Trump, poderia ser alcançado um plano para uma cooperação ainda mais forte, cujo resultado será o fornecimento de petróleo iraniano para a Coreia do Norte.

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"O embargo à importação de petróleo iraniano, do qual a Coreia do Sul também participa, não foi uma iniciativa das Nações Unidas, mas dos EUA e da União Europeia. Também anteriormente as sanções econômicas, com a ajuda das quais os Estados Unidos forçaram a UE, Coreia do Sul e outros países aliados a rejeitar a importação de petróleo iraniano, deu à China preferências consideráveis. Deixado sem vias de fornecimento, o Irã começou a vender petróleo para a China por um preço muito baixo", disse à Sputnik a especialista em Oriente Médio e investigadora sênior do Instituto Asan de Estudos Políticos de Seul, Jang Ji-Hyang.

Agora, em sua opinião, este petróleo barato também poderia atravessar a China para a Coreia do Norte, o que dará ao país uma oportunidade de enfraquecer o impacto das sanções econômicas.

"Numa situação em que os Estados Unidos continuam a pressionar simultaneamente o Irã e a Coreia do Norte para desnuclearizá-los, esses países irão apenas aumentar sua cooperação. No entanto, a Coreia do Norte e o Irã, em contraste com outros países, não revelam o seu potencial de cooperação através de canais abertos e oficiais, por isso, tudo se limitará a uma demonstração simbólica das relações de amizade", diz Ji-Hyang.

O especialista continua, dizendo que "a Coreia do Norte agora vai abster-se de gestos que falem de uma cooperação ativa, pois isso pode ter um impacto negativo sobre suas relações com os EUA".

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No entanto, como observa a especialista, o Irã e a Coreia do Norte estão ligados por uma longa história secreta de cooperação econômica e militar. Um exemplo típico de tal troca é o pagamento pelo Irã do fornecimento de armas norte-coreanas aos rebeldes iemenitas, assim como a venda ao Irã de tecnologia nuclear e de mísseis. Portanto, após a entrada em vigor em novembro de todo o volume de sanções dos EUA, não podemos excluir a realização de acordos semelhantes sobre o petróleo.

Ao mesmo tempo, o especialista acredita que o Irã, possivelmente, não precise recorrer a tais transações secretas, porque os EUA serão os primeiros a iniciar o diálogo e, como resultado, o retorno ao embargo total será evitado.

De acordo com especialistas sul-coreanos, será difícil para Trump manter a pressão simultânea em duas frentes, por isso ele terá que desistir da norte-coreana em favor da do Oriente Médio, que é mais promissora.

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Dado o fato que o presidente republicano terá que alcançar resultados impressionantes na corrida para as eleições intercalares nos EUA, que também vão ocorrer em novembro, isso será mais fácil na via iraniana: porque o levantamento das sanções do Irã provavelmente seria apoiado pelos democratas, já o das sanções da Coreia do Norte não seria.

Além disso, Teerã já demonstrou sua capacidade de negociar, enquanto Pyongyang terá que passar por todo o processo de aprovações e concessões. E se as negociações sobre um novo acordo nuclear entrarem em um impasse, a cooperação petroleira entre o Irã e Coreia do Norte provavelmente será usada pela administração republicana para fortalecer suas posições, tanto dentro dos Estados Unidos quanto nas negociações internacionais sobre a desnuclearização.

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