China avança na África: em que sua estratégia é diferente da ocidental?

© AFP 2022 / STRInauguração da base da China em Djibuti, no leste da África, no dia 1° de agosto de 2017
Inauguração da base da China em Djibuti, no leste da África, no dia 1° de agosto de 2017 - Sputnik Brasil
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O analista espanhol e especialista em assuntos africanos Sebastián Ruiz-Cabrera analisa, na entrevista à Sputnik Mundo, a influência crescente do país asiático no continente africano.

Em meio à influência crescente da China na África, Pequim abriu em 12 de julho em Burkina Faso a sua embaixada, logo após este país ter rompido em maio as relações com Taiwan. Hoje, somente a Suazilândia reconhece diplomaticamente Taiwan. Burkina Faso é um dos 14 países que adotaram o yuan como moeda principal para o intercâmbio comercial, fazendo concorrência ao dólar e ao franco africano.

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"Efetivamente, a China, como grande potência, necessita de recursos para manter a sua atual onda de crescimento. E esses recursos se encontram, sobretudo, no continente africano", ressaltou Sebastián Ruiz-Cabrera à Sputnik Mundo.

O especialista adicionou que a China atua em África com base na política de não ingerência, o que põe muito nervosas as chancelarias europeias, que chegam com a carta dos direitos humanos ou do meio ambiente. A China, ao que parece, tem outras prioridades na hora de fazer negócios.

À primeira vista pode parecer que nada diferencia a China de outros países que estiveram presentes na África durante séculos. Mas, para Ruiz-Cabrera, essas diferenças existem e são decisivas.

"Sobretudo na década dos 60, com a política cultural de Mao [Tsé-Tung], teve lugar o envio massivo de professores, médicos e agentes culturais", destaca o entrevistado, o que definiu como "uma relação do tipo cooperação Sul-Sul. Quer dizer, mais de igual a igual, e não só em termos econômicos. E isso ainda perdura", reforçou.

Por outro lado, depois do período das independências africanas (1957-1965), as potências que dominavam na região na época colonial e as que surgiram depois do fim da Segunda Guerra Mundial como, por exemplo, os EUA, sempre cultivaram uma "postura de superioridade" nestes países.

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"Na década dos 60 e até hoje em dia, em cada golpe de Estado tínhamos grandes metrópoles como Inglaterra, França ou EUA tentando manobrar de alguma maneira para colocar no poder presidentes que fizessem o jogo das suas políticas", acrescentou.

Neste contexto, a alternativa da China parece muito mais atraente do que a ocidental, já que "alguns anos atrás, a África só podia fazer negócios com a Europa e agora tem uma opção", opina o especialista.

Desde a vitória de Emmanuel Macron em maio de 2017 na França, a antiga potência colonial retomou o interesse pelo continente, ao mesmo tempo que os EUA também começaram a dar tais sinais.

Para o analista, "Macron e Trump se movem porque sabem que a China, com este outro tipo de diplomacia, se tinha movido muito silenciosamente, mas o silêncio se acaba e vemos que a China já é o principal parceiro econômico do continente", resumiu Sebastián Ruiz-Cabrera.

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