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Papel social define percepção facial da pessoa

© Sputnik / Yevgenia Novozhenina / Abrir o banco de imagensVisitante da Galeria Tretiyakov de Moscou observando um quadro do pintor Valentin Serov
Visitante da Galeria Tretiyakov de Moscou observando um quadro do pintor Valentin Serov - Sputnik Brasil
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Cientistas da Universidade Estatal de Pedagogia e Psicologia de Moscou (UEPPM) realizaram uma pesquisa experimental sobre a percepção das particularidades psicológicas individuais de uma pessoa com base em retratos artísticos ou fotografias dessas pessoas.

Os resultados sugerem que a precisão da percepção é um pouco maior quando é usado um retrato artístico.

Além disso, os psicólogos supõem que um observador externo reconstrói a personalidade da pessoa baseando-se no papel social a ela associado, e não na forma específica de representação.

A ciência psicológica estuda ativamente as questões da avaliação das particularidades psicológicas individuais da pessoa com base na sua expressão facial. Mas o papel da forma de apresentação das informações sobre uma pessoa concreta (percepção imediata do rosto, imagem em foto ou vídeo, retrato artístico) é ainda um tema que aguarda ser estudado.

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Os especialistas dizem que a maioria das pesquisas dedicadas à percepção de estados emocionais e características psicológicas individuais da pessoa usa imagens fotográficas padronizadas. Já as pesquisas que usam retratos artísticos são poucas. Contudo, o recurso a retratos oferece vantagens para a análise psicológica não só do personagem retratado, mas também do espectador.

Uma equipe de cientistas da UEPPM levou a cabo uma pesquisa experimental comparando as avaliações das particularidades psicológicas individuais de rostros representados em retrato clássico (pintado) e fotografia. A experiência foi realizada em duas etapas. Durante a primeira etapa, os voluntários descreviam as particularidades mais prováveis dos personagens. Durante a segunda etapa, eles definiram os valores básicos das pessoas retratadas. Quer os retratos, quer as fotos, eram mostrados aleatoriamente.

"A base metodológica da pesquisa são os princípios essenciais do método de cognitivo-comunicativo elaborado pelo psicólogo soviético Boris Lomov. Este método baseia-se na afirmação sobre a ligação intrínseca entre a cognição e a comunicação: a percepção de outrem tem um caráter sistêmico e é considerado como um evento cognitivo-comunicativo", diz o diretor do Centro de Psicologia Experimental da UEPPM, professor Vladimir Barabanschikov.

As imagens demonstradas eram 20:10 fotos e 10 retratos artísticos de pessoas famosas da Rússia do início do século XX. Entre elas, Feodor Chaliapin, Aleksandr Blok, a imperatriz Maria Feodorovna. As imagens retratavam todas as pessoas com mais ou menos a mesma idade.

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Os retratos e as fotos foram primeiro tratados no Adobe Photoshop CS4, eliminando os objetos de fundo e os interiores. Os voluntários só viam os rostros sem detalhes adicionais.

Para avaliar o material, foram usados o método "Descrição Livre", o método biográfico (análise de diários, cartas) e o método "Gama de Valores" do psicólogo Dmitry Leontiev.

Os cientistas revelaram que nas descrições de vários tipos de imagens da mesma pessoa aparecem características semelhantes. No entanto, quando tinham que lidar com retratos artísticos, os voluntários usaram um léxico mais rico, listando mais particularidades psicológicas individuais do que no caso das fotos. A avaliação da imagem artística levou mais tempo e correspondia melhor às características dadas às pessoas retratadas pelos seus contemporâneos. Contudo, não foram reveladas diferenças significativas no volume de características nas descrições de retratos pintados e fotos.

"A reconstrução da personalidade dos personagens por observadores externos não se baseia no tipo de representação, mas sim no papel social atribuído ao personagem", sublinha Vladimir Barabanschikov.

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A conclusão preliminar a que os cientistas chegaram é a seguinte: no que se refere aos modos de representação da pessoa, o retrato pintado pode ser considerado como o ponto de partida. Ele expressa um conjunto de particularidades que caracteriza adequadamente o mundo interior da pessoa. A importância da fotografia do rostro (como objeto e meio de pesquisa psicológica) depende do grau de proximidade entre essa imagem e o retrato. Será maior a importância se a foto revelar particularidades ocultas ou pouco conhecidas da pessoa.

Os cientistas sublinham que "isso é só o início da pesquisa, são praticamente dados piloto", mas não excluem que os seus resultados possam ser úteis nas áreas práticas que exigem um grande nível de precisão de percepção interpessoal, a saber: no setor aduaneiro, na área criminalística, na cosmetologia etc.

Os resultados da pesquisa foram publicados na revista Eksperimentalnaya Psikhologiya (Psicologia Experimental).

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