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PT acredita que 'ciclo progressista' na América Latina não chegou ao fim

© Foto / Ricardo Stuckert / Fotos PúblicasEx-presidente Lula chega para prestar o seu segundo depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, em Curitiba
Ex-presidente Lula chega para prestar o seu segundo depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, em Curitiba - Sputnik Brasil
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Foi realizado em Havana nesta semana o XXIV Encontro do Foro de São Paulo, onde os líderes da esquerda latino-americana se reuniram para debater suas estratégias de atuação no contexto das crises políticas na região e da prisão do ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, um dos criadores da organização há 28 anos.

Mesmo ausente da conferência, realizada entre os dias 15 e 17, Lula, que cumpre pena por corrupção e lavagem de dinheiro em Curitiba, foi um dos destaques do evento ao ser defendido com fervor por colegas de partido e presidentes de outros países, segundo os quais o ex-chefe de Estado do Brasil estaria sendo alvo de uma perseguição política para impedir o seu retorno ao poder, já que ele seria o favorito dos eleitores brasileiros na disputa de outubro.

Entre os principais resultados do encontro, foi estipulado um plano de ação definindo como parte de suas principais atividades campanhas pela libertação do político petista e contra a suposta perseguição a ele e a outros líderes da esquerda na América Latina. 

Para explicar a importância dessa reunião para a política brasileira e regional do ponto de vista da esquerda, a Sputnik Brasil conversou com a secretária de Relações Internacionais do Partido dos Trabalhadores (PT), Mônica Valente, que esteve em Cuba ao lado da ex-presidenta Dilma Rousseff e da senadora e presidente do PT Gleisi Hoffmann.

Bandeira nacional de Cuba em Havana - Sputnik Brasil
Cuba pede enfrentamento e unidade da esquerda na América Latina
"O nosso legado é um legado indiscutível, de governos antineoliberais, progressistas, de inclusão social, propostas importantes no campo da integração regional latino-americana e caribenha, com a criação da Unasul, da Celac, ALBA, Petrocaribe etc. Então, reafirmar isso em um foro em Havana, como foi nesses últimos dias, com mais de 600 delegados da América Latina e também convidados de outros países de fora da América Latina e do Caribe é uma coisa muito importante. É decisivo, porque orienta a nossa ação para o próximo período nesse rumo", disse ela. 

Para Valente, após anos de avanços políticos e sociais no Brasil e em outros países latino-americanos com governos progressistas, a chegada de nomes mais conservadores, de direita, ao poder resultou em tentativas de destruir importantes legados das administrações anteriores. No entanto, esse processo, segundo ela, não vem acontecendo, em geral, de maneira democrática, mas, sim, através de  "mecanismos golpistas", como golpe parlamentar, guerra midiática e sabotagem econômica. 

"O único país onde houve uma derrota eleitoral foi a Argentina", destacou, citando uma alegada fraude nas últimas eleições de Honduras. "Pela democracia, eles não conseguem implementar o seu projeto neoliberal. E é o caso do Brasil. Foi preciso um golpe e, agora, uma medida de exceção brutal contra o presidente Lula para impedir que seja viabilizado o retorno do nosso projeto aqui no Brasil, prendendo o Lula e impedindo ele de ser candidato", acrescentou, sublinhando que "o programa neoliberal é muito impopular, totalmente contra o povo e contra a soberania". 

De acordo com a secretária de Relações Internacionais do PT, uma das ideias fixadas de maneira marcante no XXIV Encontro do Foro de São Paulo é a de que não há o fim de um ciclo progressista, de esquerda, na América Latina, mas apenas interrupções provocadas principalmente por manobras antidemocráticas. Prova disso seria a recente eleição de López Obrador no México.

A estratégia do PT e dos demais participantes do Foro de São Paulo para reorganizar a esquerda e combater o avanço da direita no continente deverá se concentrar, em linhas gerais, segundo Mônica Valente, na conscientização do povo, na defesa dos valores da paz, na luta contra tentativas de desestabilização de governos e na organização de atividades de formação mais regionalizadas, entre outras.

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