Quem pode afastar a Rússia do setor de petróleo e gás na Síria?

© AFP 2022 / Youssef KarwashanPoço de petróleo no campo Rmeilane, província de Hasakeh, Síria, julho de 2015 (foto de arquivo)
Poço de petróleo no campo Rmeilane, província de Hasakeh, Síria, julho de 2015 (foto de arquivo) - Sputnik Brasil
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A situação político-militar na Síria se estabilizou e as empresas russas iniciaram trabalhos de prospecção geológica no país árabe. Representantes do setor de petróleo e gás expressaram sua disposição em participar da restauração da infraestrutura energética do país.

A Sputnik avalia as perspectivas dessa parceria para a Rússia e se haverá obstáculos à implementação destes projetos.

No início de julho, o Ministério da Energia da Rússia informou que os líderes da indústria demonstraram interesse em projetos na Síria, incluindo as empresas Zarubezhneft, Zarubezhgeologiya (subsidiária da Rosgeologiya), Tekhnopromeksport (faz parte da Rostekh) e STG, a quais já possuem experiência de trabalho na região.

"Estamos interessados na cooperação com a Síria e na execução de uma série de trabalhos. Mas, por enquanto, estamos na fase inicial de negociações", disse o representante oficial da Rosgeologiya, Anton Sergeev.

Não apenas prospecção 

No entanto, as empresas russas não se limitarão apenas aos trabalhos de prospecção, mas também à restauração da infraestrutura energética do país: refinarias de petróleo, oleodutos e usinas termoelétricas.

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"A Rússia construiu infraestruturas no nordeste da África, particularmente na Líbia. Temos uma vasta experiência de construção de oleodutos e a utilizamos com sucesso no Oriente Médio e Norte da África. Se não ocorrer nenhum desastre militar adicional, em dois ou três anos podemos restaurá-los na Síria", disse Vitaly Bushuev, diretor-geral do Instituto de Estratégia Energética.

Vale a pena observar que, antes da guerra, a rede elétrica do país era uma das mais desenvolvidas e poderosas da região. Agora, mais de metade das usinas não funcionam. Portanto, o principal objetivo nesse estágio é fornecer eletricidade para as casas de milhões de pessoas.

"Foram assinados memorandos de entendimento entre a Síria e a Rússia relativos à reconstrução de usinas sírias. Por exemplo: a central térmica em Aleppo. Precisamos lançar o segundo, terceiro e quarto geradores, e vamos também explorar a possibilidade de lançar dois geradores a vapor para gerar 700 MW", disse o ministro da Eletricidade da Síria, Zuhair Kharboutli, em uma entrevista à Sputnik Árabe.

Plano estratégico

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Se levarmos em conta apenas as estatísticas, o interesse da Rússia nos projetos de petróleo e gás da Síria não é muito claro. Segundo o relatório do ano passado, as reservas de petróleo conhecidas no país são de apenas 2,5 bilhões de barris e de gás natural — 0,3 trilhão de metros cúbicos. Como comparação: no Irã, os números correspondentes são de 158,4 bilhões de barris e 33,5 trilhões de metros cúbicos.

No entanto, estas são apenas as reservas conhecidas, cujos estoques têm vindo a diminuir em todo o mundo. Em particular, no início de julho, analistas da empresa de investimentos norte-americana Sanford C. Bernstein & Co. anunciaram um declínio catastrófico no investimento dos principais produtores. Como resultado, os estoques diminuíram em média 30%.

A abordagem das empresas russas no setor de petróleo e gás na Síria é um plano estratégico para restaurar não apenas a economia da República Árabe, mas também para vir a obter lucros significativos ao longo de décadas. E já nesta fase é possível falar sobre o mar Mediterrâneo, onde provavelmente se encontram as maiores reservas de gás natural do mundo. O acesso territorial a elas, entre outros países, também passa pela Síria.

Naturalmente, esse trabalho de grande escala envolve grandes investimentos, e o governo da Síria não possui esses recursos. Portanto, o encargo do financiamento, aparentemente, recairá sobre as empresas russas.

"Vamos restaurar e os sírios nos pagarão com parte do petróleo produzido nos campos que serão restabelecidos", assegurou Vladimir Isaev, professor do Instituto da Ásia e África da Universidade Estatal de Moscou.

Tendo em conta a atual situação política externa, ao mesmo tempo que as empresas russas alcançam sucessos no sector de petróleo e gás na Síria, as tentativas de outros países de expulsar a Rússia serão intensificadas. Em primeiro lugar, isso diz respeito aos gigantes internacionais do petróleo e gás.

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Sem dúvida, as corporações mundiais tentarão integrar os seus negócios na Síria, quando a guerra acabar. Mas é pouco provável que o governo da Síria as aceite de braços abertos. Estão demasiado frescas as memórias das ações da Shell e da Total, que deixaram o país em dezembro de 2011 em meio a retórica crescente dos líderes ocidentais contra o governo legítimo. Mas mesmo os países amigos não deverão ser capazes de "afastar" a Rússia. Muito provavelmente, eles vão assumir projetos que lhes são mais familiares. O primeiro na lista é a China, com seu enorme potencial de investimento. 

"Pequim não tem experiência, porque a indústria de refinação de petróleo foi criada pela União Soviética. A China vai construir estradas, já foram assinados contratos, assim como restaurar a agricultura ou, por exemplo, fábricas têxteis", disse Vladimir Isaev.

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