Sem acordo nuclear, Irã ameaça reabrir usina de enriquecimento de urânio

© AP Photo / Vahid Salemi A usina nuclear Bushehr no Irã
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O colapso do acordo nuclear de 2015 levará o Irã a reabrir sua segunda instalação de enriquecimento de urânio em Fordow, informou a agência nuclear do país. Na semana passada, Teerã anunciou planos para retomar o enriquecimento no âmbito do acordo.

"Atualmente, o líder supremo [Aiatolá Khamenei] determinou que os programas sejam executados dentro dos parâmetros do acordo nuclear", afirmou o porta-voz da Organização de Energia Atômica do Irã (AEOI) Behrouz Kamalvandi ao Clube de Jovens Jornalistas (YJC) em uma entrevista.

"E quando ele der a ordem, nós anunciaremos os programas para operar fora do acordo nuclear para reviver Fordow", acrescentou.

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Kamalvandi  pontuou ainda que novos equipamentos também seriam instalados na usina nuclear de Natanz.

Na semana passada, o líder supremo do Irã ordenou à AEOI que preparasse a instalação de Natanz para retomar o processo de enriquecimento. A instalação deve estar pronta para abrigar 60 centrífugas de enriquecimento em um mês, de acordo com autoridades iranianas.

A decisão de retomar o processo de enriquecimento não viola o acordo de 2015, oficialmente conhecido como Plano de Ação Compreensivo Conjunto (JCPOA), pois o país pode enriquecer pequenas quantidades de urânio para fins médicos e de pesquisa.

A fábrica de Fordow é a segunda instalação de enriquecimento de urânio, localizada a nordeste da cidade de Qom. A instalação secreta, enterrada no subsolo, foi revelada à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em 2009. Nenhuma foto do local, exceto imagens de satélite, surgiu até agora.

Após a decisão dos EUA de deixar o acordo em 8 de maio, outros signatários lutaram para evitar que ele se desintegrasse. Aliados próximos dos EUA — França, Reino Unido e Alemanha — prometeram manter o acordo, concordando, porém com Washington que o programa de mísseis do Irã e as atividades regionais podem se tornar um assunto para futuras negociações.

Teerã, no entanto, recusou-se a renegociar o acordo de qualquer forma, instando todas as partes a realmente cumprirem suas obrigações. A conformidade do Irã com o JCPOA foi regularmente confirmada pelos especialistas da AIEA.

As principais autoridades iranianas alertaram repetidamente que, se o país não recebesse os benefícios econômicos do JCPOA, seria forçado a abandoná-lo. Falando com o presidente francês Emmanuel Macron ao telefone, o presidente iraniano, Hassan Rouhani, enfatizou que os signatários "não devem permitir que essa grande conquista diplomática seja destruída pelas medidas unilaterais e atos de violação dos outros".

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"Se o Irã não puder desfrutar dos benefícios do acordo, será praticamente impossível permanecer nele", declarou Rouhani à Macron na terça-feira, conforme citado pela mídia estatal.

Enquanto os países europeus declararam seu compromisso com o acordo e prometeram "proteger" suas empresas que operam no Irã de possíveis sanções dos EUA, as empresas já começaram a deixar o país. Na quarta-feira, o austríaco Oberbank anunciou sua retirada do Irã sobre as sanções ameaçadas. O Oberbank foi um dos primeiros bancos ocidentais a entrar no mercado iraniano após o acordo histórico.

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