Como empresas europeias se veem forçadas a dar as costas ao Irã por causa dos EUA?

CC BY 2.0 / Bastian / A Embaixada dos EUA em Teerã tem muitas pinturas antiamericanas nas suas paredes, 2007
A Embaixada dos EUA em Teerã tem muitas pinturas antiamericanas nas suas paredes, 2007 - Sputnik Brasil
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Recentemente os EUA anunciaram sua saída do acordo nuclear iraniano, contudo, ainda não deram nenhum passo concreto nesta direção. A Sputnik pediu a opinião de especialistas quanto ao assunto.

Em entrevista à Sputnik Mundo, o analista iraniano, Sharoj Habibi, assinalou que Washington não pretende mudar a situação por estar conseguindo o que queria, dando como exemplo a situação com empresas espanholas operando no Irã. 

"Um dos principais objetivos que teve os EUA […] foi criar uma incerteza nas relações comerciais entre o Irã e empresas estrangeiras", explicou.

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Habibi é familiarizado com a situação por ser o cofundador da empresa Ibero-persa, que visa prestar assistência a empresas espanholas que procuram desenvolver negócio no Irã. 

Mesmo que Washington ainda não tenha anunciado sanções contra o Irã, e nem tenha empreendido passos concretos para sair do acordo nuclear, as empresas espanholas ficaram presas em uma situação em que os acordos milionários firmados entre elas e seus sócios iranianos estão à beira de um colapso. 

"Tudo está nas mãos de Trump", afirmou à Sputnik Mundo, Cristóbal Cutillas, representante da empresa TAIM Weser especializada em maquinaria de construção, cuja filial opera no Irã há mais de 50 anos.

Por sua vez, os países europeus fazem de tudo para tentar salvar o acordo. Eles também estão preocupados que Washington possa introduzir sanções contra empresas operando tanto no Irã, como nos próprios EUA.

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Representantes de muitas empresas, entrevistadas pela Sputnik, recusaram-se a comentar sobre a situação. Habibi explicou que esta postura se deve ao medo de represálias norte-americanas. Segundo ele, várias empresas também contam com acordos com seus parceiros norte-americanos. 

"Aquelas empresas que ainda não têm experiência de colaboração com Irã, estão com medo agora. Antigamente, este país parecia-lhes hostil, pouco atraente, e até mesmo perigoso. Agora, a impressão ficou pior ainda. E as empresas que ficaram muitos anos trabalhando preferem manter o anonimato", explicou o fundador da empresa Ibero-persa.

De acordo com ele, "quando tem uma administração norte-americana que assegura que vai procurar e punir empresas europeias que colaborem com o Irã", este comportamento das empresas europeias torna-se compreensível.

Para estas companhias, é perigoso operar no mercado iraniano, como a maior parte delas “tem os próprios interesses no que se refere à colaboração com empresas norte-americanas", Washington usa este fato para sufocá-las.

Sanções invisíveis

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Assim, o prejuízo à economia já tinha sido causado por esta incerteza. Os EUA aproveitam para atingir seus alvos com sua posição dominante em relação a outros países. Sendo assim, não há nenhuma necessidade de introduzir sanções contra o Irã, opina o analista.

Segundo Habibi, a mídia ocidental dificilmente cria uma boa imagem em torno do Irã, o que acaba “distorcendo a situação real” neste país.

O especialista acrescentou que já tinha sido entrevistado por várias mídias espanholas, contudo, estas não publicaram suas declarações, por não corresponderem ao script imposto pelos Estados Unidos.

"Tudo isso são sanções invisíveis, cujo alvo é criar incerteza. Ou seja, fazem de tudo para que a empresa que tem acordos com alguém que não é do agrado dos EUA seja recuada", assinalou Habibi.

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Contudo, de acordo com o interlocutor da agência, as empresas europeias cuja atividade no Irã se limita às ações dos EUA, no fim das contas continuam vendendo suas mercadorias no mercado iraniano.

"Quando empresas como Apple, que não tem distribuidores oficiais, apresentam uma nova versão de iPhone, ela surge no Irã em dois dias", afirmou o entrevistado, acrescentando que tais empresas "vendem sua produção, por exemplo, nos EAU, e dali transportam até ao Irã", o que é uma prática comum. 

"A economia segue seu curso", ressaltou o analista.

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