Berço do 'sonho' soviético: qual o destino na Ucrânia do maior avião do mundo

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Avião ucraniano Antonov An-225 - Sputnik Brasil
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O especialista militar Aleksei Leonkov e o ex-diretor da empresa estatal ucraniana de construção de aviões Antonov, Dmitry Kiva, comentaram o destino da empresa e do avião de transporte superpesado An-225.

A venda da produção do avião An-225 Mriya (Sonho), o maior avião no mundo com um único exemplar existente, à China em 2016 foi um sinal que a indústria de aviação ucraniana já não é capaz de realizar grandes projetos.

Entretanto, isso gerou esperanças que o projeto ganhasse um segundo fôlego e fosse construída a segunda unidade do An-225.

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Para Leonkov, este é um avião com caraterísticas únicas destinado a programas específicos.

"Ele não foi projetado para transporte de cargas dentro ele. Sua estrutura se destinava para transportar cargas na parte externa sobre a fuselagem (como foi no caso da nave Buran)", explicou ele à Sputnik Mundo.

"Mas se os chineses tentarem o transformar em um avião para transporte de cargas, eles cometerão o mesmo erro que fez a empresa de projetos Antonov quando tentou reiniciar sua produção", acrescentou ele.

O An-225 pode ser completamente reequipado para transportar cargas superpesadas, mas isso exigirá uma avaliação técnica e econômica minuciosa.

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Para Dmitry Kiva, tem de se perceber que vantagens teria esse uso do An-225 perante os outros aviões no mercado. O An-225 poderia ser usado na esfera espacial, incluindo o transporte de espaçonaves como a Buran, ou seja, aquilo para que foi inicialmente usado na União Soviética.

Segundo o ex-diretor da Antonov, o segundo avião poderá ser produzido no futuro próximo, se houver dinheiro. Além disso, ele acrescentou que será difícil realizar esse projeto sem a participação da Rússia.

"Será muito difícil sem a participação da Rússia […] Na verdade, é possível fazer tudo o que quiserem, mas tudo depende do volume de financiamento. É mesmo possível construir um novo avião, que seja até melhor, mas isso custará não milhões, mas bilhões de dólares", explicou o especialista.

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Leonkov sublinha que, ao assinar o acordo de associação com a UE, a Ucrânia começou a perder suas tecnologias, incluindo as da Antonov.

Por exemplo, todos os programas conjuntos da Antonov com a empresa Airbus levaram à criação do avião A-400 que foi, de fato, desenvolvido com ajuda dos especialistas ucranianos, mas a Ucrânia não ganhou praticamente nada com esse projeto.

"Hoje a Airbus apresenta essa tecnologia como sua própria, enquanto a Ucrânia não recebe quaisquer dividendos por sua participação do projeto. A Antonov esperava que a cooperação com a Airbus lhe trouxesse preferências e que ela pudesse participar a nível global", destacou ele.

Entretanto, Kiva desmente que a empresa ucraniana tenha participado desse projeto. "Isso é completamente falso. O Antonov Design Bureau não participou dessa cooperação. A empresa não teve nada a ver com isso', declarou ele.

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