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'É hora de parar de bater na Rússia', diz presidente da UE. O que isso pode significar?

© Sputnik / Vladimir Sergeev / Abrir o banco de imagensBandeiras da Rússia e da UE
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Em um claro sinal do descontentamento de Bruxelas com os EUA, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker concedeu entrevista na qual declarou que chegou o momento de parar de 'bater na Rússia'. O que significaria esta declaração em tempos de Trump, guerra comercial e acordo nuclear iraniano? A Sputnik foi ouvir especialistas sobre.

Para o observador político da Sputnik, Igor Gashkov, o distanciamento dos europeus em relação aos americanos abre algumas possibilidades estratégicas. Gashkov analisa que a Rússia pode se aproveitar da atual discussão entre Washington e Bruxelas para extrair certas concessões da UE no campo das exportações de energia e na questão ucraniana.

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Durante a recente cúpula em Sófia, capital da Bulgária, os países da União Europeia se ofereceram para comprar mais petróleo e gás liquefeito dos EUA em troca da imposição de tarifas a Washington. Eles também concordaram em alterar o acordo nuclear existente com o Irã, colocando medidas adicionais sobre o programa de desenvolvimento de armas de Teerã. Depois que todas essas ofertas foram rejeitadas por Washington, os líderes da UE se voltaram para Moscou.

"Eu acho que temos que nos reconectar com a Rússia", disse Juncker em uma audiência em Bruxelas. “Não estou muito feliz com o estado das nossas relações. Nós nunca aceitaremos o que a Rússia fez com a Crimeia ou o leste da Ucrânia. No  entanto, temos que ter em mente que todo o território da União Europeia é de cerca de 5,5 milhões de quilômetros. [O território da] Rússia [é] 70,5 milhões [quilômetros quadrados]”, acrescentou.

Em entrevista à Sputnik, o diretor do Centro de Comunicações Estratégicas em Moscou, Dmitry Abzalov disse que a Rússia deveria tentar se aproveitar ao máximo da situação e pressionar por concessões europeias.

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“A UE poderia colocar o Nord Stream 2 [Corrente do Norte 2] na lista de seus projetos estratégicos. Um status semelhante para a corrente turca também não prejudicaria. Se a Alemanha e a França quiserem trabalhar mais de perto com a Rússia e usarem sua influência na Ucrânia, a própria razão para as sanções [anti-russas] desapareceria”, observou Abzalov.

A chanceler alemã, Angela Merkel, mostrou uma disposição similar para se reconectar com Moscou. Durante seu recente encontro na Rússia, Merkel e Putin ressaltaram a importância mútua de levar adiante o projeto Nord Stream 2.

Para o diretor do Conselho Russo para Assuntos Internacionais, Andrei Kortunov, essa é uma possibilidade distinta.

“Existem fatores que estão pressionando ambos os lados para isso. O simples fato de que [o presidente francês Emmanuel] Macron e Merkel visitarem Moscou é um sinal muito positivo, porque fazia muito tempo que eles não estavam aqui. O próprio estado dos assuntos internacionais exige uma reaproximação porque Moscou e Bruxelas têm visões parecidas sobre o acordo nuclear iraniano e a transferência da embaixada dos EUA para Jerusalém”, disse Kortunov.

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Na sexta-feira, os Estados Unidos impuseram tarifas sobre as importações de aço e alumínio da União Europeia, Canadá e México, justificando o movimento pela necessidade de salvaguardar a segurança nacional.

A Comissária Europeia do Comércio, Cecilia Malmström, criticou a abordagem de Washington como "puro protecionismo" e a descreveu como ilegal sob as regras comerciais da Organização Mundial do Comércio.

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