Ex-chefe do Mossad: Netanyahu teria ordenado ataque a instalações nucleares do Irã em 2011

© AP Photo / Sebastian ScheinerPremiê israelense, Benjamin Netanyahu, apresentando materiais sobre o suposto programa nuclear iraniano em Tel Aviv
Premiê israelense, Benjamin Netanyahu, apresentando materiais sobre o suposto programa nuclear iraniano em Tel Aviv - Sputnik Brasil
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O ataque deveria ser dirigido a instalações nucleares do Irã, o que, na opinião de Tamir Pardo, ex-chefe do serviço secreto israelense Mossad, "sem dúvidas", teria sido equivalente à decisão de entrar em guerra contra Teerã.

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Em 2011, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pediu ao exército que preparasse um ataque contra Irã em apenas duas semanas, ação que desencadearia uma guerra, segundo admitiu Tamir Pardo em entrevista ao programa investigativo Uvda da Keshet TV.

Netanyahu instruiu o então chefe de pessoal das Forças de Defesa de Israel (FDI), Benny Gantz, para que preparasse os militares com o objetivo de realizar um ataque a Irã dentro de 15 dias após a ordem, segundo Pardo. O ataque seria dirigido contra alvos nucleares iranianos, o que, na opinião do ex-chefe de Inteligência, "sem dúvidas", teria sido igual à decisão de começar uma guerra contra Teerã, informou a mídia israelense.

"Consultei todos para entender quem está autorizado a começar uma guerra"

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O ex-funcionário está convencido de que a ordem não foi "uma simulação", e que quando o primeiro ministro "disse-lhe para que inicie o processo de contagem regressiva, você sabe que ele não está brincando com você", afirmou Pardo, ressaltando que "estas coisas têm uma enorme importância".

Pardo, que tinha ocupado o cargo nesse mesmo ano, não estava seguro da ideia, e inclusive tentou averiguar se o primeiro-ministro teria autoridade para organizar a ação.

Ele ainda chegou a pensar em renunciar se a situação atingisse ponto sem volta, mas a ideia de atacar as instalações nucleares do Irã foi finalmente descartada, depois que Pardo e Gantz se opuseram ao plano de Netanyahu.

"Falei com antigos chefes do Mossad. Falei com consultores jurídicos. Consultei todos que pude consultar para entender quem está autorizado a dar instruções sobre a questão de começar uma guerra", assinalou o ex-chefe, explicando que queria "ter certeza" de que "se algo errado acontecesse, mesmo se a missão tivesse falhado", não haveria "nenhuma situação de organização de operação ilegal".

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Embora os rumores sobre os planos de Tel Aviv de atacar o Irã nos primeiros anos desta década estivessem ocorrendo há anos, eles só foram oficialmente reconhecidos em 2015 pelo ex-ministro israelense da Defesa, Ehud Barak.

As revelações ocorreram um dia após as novas declarações de Netanyahu, que prometeu "continuar atacando" alvos iranianos na Síria.

Nos últimos meses, Tel Aviv intensificou suas ações militares contra o país árabe, argumentando uma suposta acumulação de forças iranianas. Irã e Síria acusam os israelenses de estarem violando o decreto internacional com estes ataques e alegam que Tel Aviv usa qualquer pretexto para atacar o país e ajudar as forças terroristas.

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