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Diplomata brasileiro conta como será relação com Moscou após eleições

© AFP 2022 / EVARISTO SAMichel Temer discursa durante uma cerimônia de celebração de dois anos no mandato, no Palácio do Planalto, em 15 de maio de 2018
Michel Temer discursa durante uma cerimônia de celebração de dois anos no mandato, no Palácio do Planalto, em 15 de maio de 2018 - Sputnik Brasil
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A Rússia continua sendo um parceiro de muitíssima envergadura para o Brasil apesar do esfriamento das relações por conta das eleições presidenciais de outubro deste ano, foi isso que manifestou à Sputnik o representante da embaixada do país no Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo (SPIEF), segundo secretário Lucas Beltrami.

Tradicionalmente, o SPIEF é o maior fórum econômico da Rússia que recebe mais de 10 mil participantes de mais de cem países. Neste ano, entre os grandes destaques do evento foi a participação das grandes delegações da França do Japão, inclusive com as visitas dos seus líderes.

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Entre os principais diálogos empresariais, estavam os painéis da relação bilateral com a Europa, Índia, África e EUA, entre outros. A América Latina, bem como o Brasil, não chegou a ser um dos destaques deste ano.

"A gente tem que levar em consideração o momento pelo qual o Brasil está passando, muito mais do que a relação bilateral em si. Nesse ano o Brasil vai passar por um processo eleitoral, que ocorrerá em breve, em alguns meses, motivo pelo qual a grande parte das autoridades que normalmente representariam o Brasil nesse tipo de evento estão concentradas nos seus afazeres, digamos, domésticos", enfatizou o diplomata em uma conversa com a Sputnik Brasil nas margens do SPIEF 2018.

Segundo assinalou Beltrami, isso acontece não somente na Rússia, mas também em todos os outros países que convocam esse tipo de cimeiras.

"Se for falar em perspectiva, eu diria que, muito provavelmente, a partir do próximo ano, quando o novo governo já estiver no poder, se regularizem as participações brasileiras. […] É difícil fazer com que autoridades, dado que muitas delas estão em processo eleitoral, consigam largar isso. Por mais importante que seja, a gente de maneira alguma desconsidera a importância destes eventos, mas é uma questão interna mesmo, é um período transitório", observou.

No entanto, o representante da embaixada se mostrou otimista quanto às perspectivas do diálogo bilateral entre os dois países.

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"A Rússia sempre, independentemente do governo que chegar ao poder no Brasil, sempre vai ser um dos focos da política externa brasileira pela importância que o país tem e pela proximidade que os dois países [conseguiram] nos últimos anos. Tanto pela participação dos blocos de países conjunto como os BRICS, como em visões do mundo que muitas vezes são parecidas", sublinhou o diplomata.

Quanto ao comércio, observou Beltrami, o lado brasileiro "fez tudo para que as demandas russas fossem atendidas", e a cooperação vai com ritmo de crescimento, como foi no ano passado, quando cresceu 20%.

Isso, sublinha o diplomata, traz indícios de uma recuperação após um período de queda.

"Existe uma expectativa de que as eventuais restrições sanitárias a produtos brasileiros por parte da Rússia também sejam levantadas à medida que as demandas russas venham sendo atendidas. Um esforço está também sendo feito do lado brasileiro", enfatizou.

Nesse respeito, ao falar do embargo russo à carne suína e bovina brasileira que já se prolonga desde dezembro do ano passado, Beltrami lamentou o caso por influenciar bastante a dinâmica da economia brasileira e prejudicar a cooperação bilateral.

© Sputnik / Ekaterina NenakhovaRepresentante da embaixada brasileira, segundo secretário Lucas Beltrami, no Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo (SPIEF), em 26 de maio de 2018
Representante da embaixada brasileira, segundo secretário Lucas Beltrami, no Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo (SPIEF), em 26 de maio de 2018 - Sputnik Brasil
Representante da embaixada brasileira, segundo secretário Lucas Beltrami, no Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo (SPIEF), em 26 de maio de 2018

"O lado brasileiro espera com ansiedade que essa questão possa ser resolvida, mas até o momento a suspensão não foi levantada, o que de certa forma pode influenciar os resultados do comércio externo, pois é uma grande parte da pauta exportadora", resumiu.

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